Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/09/2020

O filósofo Rousseau afirmava que os indivíduos são produtos do meio onde estão inseridos. Dessa forma, ao se analisar esse emblemático pensamento, torna-se imprescindível avaliar aspectos sociais e governamentais, haja vista que a gravidez na adolescência está em evidência no hodierno cenário brasileiro. Logo, é de suma importância que medidas sejam tomadas para mudar tal realidade da sociedade contemporânea.

Em primeiro lugar, é necessário destacar que aspectos sociais, como a falta de comunicação familiar sobre educação sexual - por ser considerada um tabu -, corroboram com a intensificação e perpetuação da gravidez na adolescência. De acordo com Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Nesse sentido, percebe-se a razão do aumento da gravidez não intencional entre as jovens, visto que a didática adequada sobre sexualidade é vetada em grande parte das famílias brasileiras, o que colabora com o aumento do viés, pois por não serem ensinadas, não sabem como evitar e prevenir a gestação precoce. Por conseguinte, o número de abortos, complicações na gravidez, mortalidade materna e nascimento prematuro aumentam, de modo a se tornar de grande valia o ensino sobre cuidados sexuais, concordando com a perspectiva de Kant.

Ademais, também se faz importante salientar que aspectos governamentais, como a negligência sobre educação sexual, aumentam a taxa de gestação precoce. Segundo a Constituição Federal Brasileira de 1988, é dever do Estado garantir a educação. Todavia, é notório que tal proposta é falha na prática, por conta de o governo omitir a necessidade da educação sexual nas escolas, o que faz o número de adolescentes grávidas crescer, dado que os garotos e garotas não sabem como tomar os devidos cuidados para não terem um filho. Nesse âmbito, a evasão escolar ou universitária é a única escapatória, em razão de ter que trabalhar para sustentar e auxiliar a gestação e criação da criança.

Portanto, ao se analisar as causas e consequências da gravidez precoce e não intencional entre as jovens brasileiras, torna-se imprescindível subterfúgio para resolver tal problemática. Posto isso, é fundamental uma ação do Ministério da Educação que deve, por meio de apoio e investimentos governamentais, inserir a educação sexual em todas as escolas, ora pública, ora particular, que ensine os cuidados necessários para evitar uma gravidez precoce e não intencional. Em vista disso, espera um menor índice de gestação precoce e suas complicações, vindo a melhorar a qualidade de vida de muitos jovens e cumprir a garantia que a Constituição oferece, além de mostrar que a perspectiva de Kant está correta.