Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 04/10/2020

Segundo a filósofa política Hannah Arendt, a essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos. Sob essa ótica, é inegável a crucialidade da cidadania ser inviolável. No entanto, ao observar a falta de ações no combate à gravidez na adolescência, é notório que essa imprescindibilidade não tem sido considerada no país. Nesse contexto, pode-se afirmar que a escassa abordagem do problema e a negligência governamental agravam essa situação.

Em primeira análise, é válido destacar que a insuficiente exposição dessa problemática contribui para a permanência da gestação precoce. Nessa perspectiva, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender a linguagem como uma verdadeira forma de ação. Todavia, muitas vezes, a mídia e as famílias negligenciam o debate acerca da ausência de intervenções nessa questão social, o que faz muitos jovens não terem entendimento a respeito das relações sexuais e, por conseguinte, engravidam. Dessa forma, é indubitável que a carência de diálogo no que concerne à sexualidade proporciona a perpetuação da gravidez na juventude.

Além disso, é pertinente ressaltar que a displicência estatal colabora com esse cenário. De acordo com o artigo 6º da Constituição Federal do Brasil, todo cidadão tem direito a educação.  Entretanto, ao analisar o ensino público, é indiscutível que essa premissa constitucional não é valorizada pelo governo nacional, pois a educação sexual não é explorada no âmbito escolar. Dessa maneira, é importante salientar que essa má atuação do Estado provoca um lapso no aprendizado de aspectos relacionados a saúde e, cosequentemente, garante a condição de subcidadania de diversos indivíduos.

Depreende-se, portanto, que esses entraves precisam ser solucionados. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, devem divulgar amplamente informações sobre a prevenção da gravidez na adolescência, por meio de palestras, publicações e transmissões ao vivo nas mídias de grande acesso, com a participação de profissionais da saúde, como médicos e psicólogos. Tais atividades devem ser direcionadas a toda sociedade, a fim de esclarecer as dúvidas e elucidar os impactos desse acontecimento.  Assim, com o esclarecimento necessário, poderá ocorrer o diálogo sobre esse tema e, pricipalmente, a precaução da gravidez nessa fase da vida.