Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 19/09/2020

Minoria é, por definição, um grupo de pessoas que , de algum modo, se encontram em situação de dependência ou desvantagem em relação a um outro grupo social. Nessa perspectiva, observa-se que a maioria dos casos de gravidez na adolescência ocorrem em famílias que possuem baixo poder aquisitivo. Tal problema é evidenciado pela falta de direcionamento escolar e pela ausência políticas públicas que atendam as necessidades de saúde dessa parcela desigual da população. Assim, é necessária uma análise mais cuidadosa a respeito desses problemas.

Em primeiro plano, não é exagero afirmar que a falta de educação sexual é, muitas vezes, a causa para a maternidade precoce entre os jovens brasileiros. O sociólogo Pierre Bourdieu, aponta que essa perspectiva pode ser resultante da ausência de direcionamento dos professores em sala de aula quando o tema abordado é a anatomia humana, doenças sexualmente transmissíveis, preservativos, puberdade e/ou hormônios sexuais. Contudo, o receio em tratar o assunto pelo achismo de que se está induzindo ao ato acaba ocasionando o efeito contrário, uma gravidez insegura. É por conta desse desconhecimento que a OMS ( Organização Mundial da Saúde), relata a tendência ascendente da gestação entre jovens de 10 a 19 anos.

Outro fator, que também pode ser considerado nessa perspectiva é o fato de que além de propor uma educação sexual, é necessário disponibilizar meios para evitar uma gravidez precoce. O SUS ( Sistema Único de Saúde ) é, na prática, quem deveria dar o suporte ( camisinha, pílula anticoncepcional ou DIU ) para que essa maternidade na adolescência não ocorra. Mas, na maioria das comunidades carentes, não há postinhos ou hospitais que tenham condições de contratar uma equipe médica para realização de exames preventivos e a compra de preservativos que atende toda demanda populacional nesses locais.

Esse retrato preocupante da realidade brasileira evidencia, portanto, a necessidade que o Governo possui, através do Ministério da Educação, em minimizar o aumento dos casos de gravidez na adolescência. Isso irá se efetivar se as Universidades Federais ou Particulares direcionarem os atendimentos domiciliares de seus alunos de medicina e enfermagem a comunidades carentes das cidades em que habitam. Para que através dos seus conhecimentos específicos possam conscientizar meninas e meninos de pouca idade a evitarem a gestação precoce e o uso de preservativos nas atividades sexuais. Assim, estarão contribuindo para atitudes humanas mais conscientes ao mesmo tempo em que se tornarão profissionais mais maduros acerca das problemáticas de suas carreiras.