Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 21/09/2020
O sociólogo Francisco de Oliveira afirma na ‘‘Teoria do Ornitorrinco’’ que o Brasil é a simbiose entre o acaico e o moderno. Nesse sentido, a perspectiva do autor é evidenciada no debate sobre a gravidez na adolescência em evidência no Brasil, uma vez que, mesmo com o avanço das leis que protegem os jovens para que usufruam essa fase da vida, há, infelizmente, o retrocesso exemplificado pelas gravidezes indesejadas. Assim, tem-se como fatores preponderantes da gravidez na adolescência a falta de diálogo com os pais sobre o assunto e a vulnerabilidade social.
Em primeiro lugar, a falta de um diálogo aberto sobre sexualidade com a família impulsiona gestações na puberdade. Isso ocorre porque os pais, muitas vezes, exercem valores conservadores nas relações familiares, à medida que terceirizam a responsabilidade do debate sobre as consequências de uma gravidez na adolescência para o âmbito escolar - por acreditarem erroneamente que a conversa sobre o assunto incita os juvenis a prática sexual. Prova disso é a pesquisa realizada em 2018, pela Unifesp e pela Bayer, a qual afirma que 41% dos entrevistados não conversam com os pais sobre sexo. Diante disso, entende-se que a falta de um diálogo aberto com os pais contribui para que a gravidez na adolescência esteja em evidencia no Brasil.
Em segundo lugar, a vulnerabilidade social é uma condição que pré-dispõe certas jovens a gravidez indesejada. Esse cenário ocorre porque, em alguns casos, as meninas veem a maternidade como uma forma de saírem da condição social que estão - haja vista que a perspectiva profissional para elas são limitadas naquele estado. Esse cenário é comprovado com o documentário ‘‘Meninas’’, gravado na área periférica do Rio de Janeiro, no qual é relatada a vivência de jovens socioeconomicamente prejudicadas que engravidam. Desse modo, entende-se que o contexto social e econômico é um fator que solidifica os casos de gravidezes na adolescência.
Portanto, diante da evidência juvenil no que tange a gravidez indesejada, urge que medidas sejam aplicadas para mitigar esse cenário.Para tanto, é preciso que as escolas juntamente com sexólogos discutam, nas reuniões semestrais com os pais, a importância da educação sexual provinda de casa, por meio de debates entre profissionais e familiares, a fim de fomentar o diálogo aberto e, consequentemente, evitar a gravidez na adolescência. Por fim, é necessário que as secretarias de sáude de áreas periféricas, juntamente com psicólogos, realizem oficinas interativas para os adolescentes com o objetivo de elucidar sobre como a gravidez não é uma forma de ampliar as perspectivas do futuro, por meio de perguntas anônimas - feitas pelos adolescentes e respondidas pelos profissionais. Com isso, o Brasil do Ornitorrinco não terá muitas gravidezes na adolescência.