Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 23/09/2020
A gravidez na adolescência, no Brasil hodierno, tem apresentado aumentos significativos, já que de acordo com o Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada (IPEA), uma em cada cinco crianças possui mãe com idade entre 10 e 19 anos. Nesse sentido, há uma dificuldade para mitigar essa problemática, seja pela omissão familiar, seja pela falta de ensino nas escolas sobre educação sexual.
A princípio, há uma certa negligência na esfera doméstica sobre esse tema. Nessa perspectiva, Michael Foucault, em seu livro “ palavras proibidas” defende a tese de que o sexo está atrelado a um tabu social, sendo, muitas vezes, reprimido das conversas por conta disso. De forma análoga, muitos pais brasileiros tendem a sentir vergonha de abordar esse assunto e perdem a oportunidade de ensinar, em seu seio familiar, sobre a importância de se prevenir para evitar doenças sexualmente transmissíveis e até mesmo uma gravidez precoce na fase infanto-juvenil. Entretanto, é fundamental que o papel social da família esteja presente, tanto na prevenção, como também no acolhimento das jovens gestantes que necessitam de amparo social, psicológico e econômico nessa etapa.
Outrossim relevante nessa temática é a carência, nas redes de ensino, sobre a educação sexual, tão necessária no cotidiano brasileiro. Isso ocorre porque não há um debate sobre a importância de educar o público infanto-juvenil sobre o que é o corpo humano, o papel do sexo e o risco de saúde, para as meninas, de uma gravidez precoce. Todavia, é preciso ser ensinado isso nas aulas de biologia, assim como ser passado sobre as patologias que podem comprometer a vida da mãe e do bebê, como pré-eclâmpsia, baixo peso do nacituro e a depressão pós parto. Ademais, o ensino sobre educação sexual está atrelado ao papel de cada gênero na sociedade, uma vez que esse tema de prevenção não é dever somente das mulheres, mas também dos homens, evitando, ao longo do tempo, a omissão paternal tão presente em nosso cotidiano, A. Schopenhauer afirmava que os limites do campo de visão de uma pessoa determina seu entendimento a respeito do mundo, visto isso, é fundamental que o campo óptico da juventude seja ampliado para diminuir essa mazela social que é a gravidez precoce na fase juvenil. Portanto, urge que o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde crie medidas para ampliar o ensino de educação sexual, com professores de diversas disciplinas, como biologia, sociologia e filosofia, nos períodos extra-classes, podendo ser através de palestras atreladas à filmes e documentários sobre o tema, assim como o aumento, feito pelo Ministério da Saúde, de ofertas de métodos contraceptivos nas instituições de ensino e nos postos de saúde, para que a curto prazo, diminua o número de meninas grávidas. Outro ponto seria palestras para os pais feitas por ONG’s nas escolas sobre a importância de se debater o sexo e o acolhimento paterno das jovens gestantes. Desse modo, ampliaremos nosso campo de visão, tal como Schopenhauer dizia.