Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 21/10/2020
O Estatuto da Criança e do Adolescente assegura aos jovens direitos fundamentais de educação, lazer e saúde, como forma de oferecer-lhes oportunidades para seu pleno desenvolvimento. Paradoxalmente, ocorre no Brasil, uma alta incidência de casos de gravidez durante a adolescência, fenômeno responsável por cercear os direitos das garotas e impedi-las de viver conforme sua faixa etária, uma vez que exige dedicação em tempo quase integral. Dessa forma, é necessário debater acerca da origem dessa patologia social, bem como seus desdobramentos na sociedade atual, a fim de formular medidas de combate.
Em primeira análise, é válido frisar a importância do longa-metragem “Juno”, que aborda a saga de uma garota, a qual engravida de seu melhor amigo devido à inexperiência e falta de conhecimento em relação a contraceptivos. Diante disso, é possível estabelecer um paralelo entre o filme e a situação das jovens brasileiras, uma vez que se perpetua a crença de que ensinar sobre anticoncepcionais, estimula a iniciação sexual, o que faz muitas famílias discordarem da abordagem do assunto nas escolas. Com isso, muitas adolescentes têm informações distorcidas acerca do sexo e seus riscos, pois aprendem através de conversas com amigos ou pelo acesso à pornografia na internet, o que as faz começar a vida sexual sem o devido conhecimento e, consequentemente, engravidar.
É importante citar, ademais, que, geralmente, as adolescentes grávidas são negras e pobres, já que as classes mais abastadas oferecem às suas meninas, consultas com ginecologistas, abortos seguros e oportunidades de estudo o suficiente para almejarem altas posições sociais. No entanto, a perspectiva de vida das garotas pobres limita-se ao papel de mãe, o que dificulta o término dos estudos e fomentam os casos de evasão escolar, que impossibilitam as jovens de um emprego no mercado de trabalho atual, marcado pela exigência de especializações. Assim, o Brasil, país que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, possui cerca de 13 milhões de miseráveis, faz com que a ascendência econômica torne-se rara, uma vez que, ao nascer numa família pobre, uma jovem, dificilmente, romperá com o ciclo da pobreza e não terá filhos precocemente.
Torna-se claro, portanto, a necessidade de assegurar às jovens, seus direitos reprodutivos como forma de promover transformações sociais mais profundas. Dessa maneira, é essencial a ação do Ministério da Educação, por meio do ato de acrescentar à grade curricular a matéria de educação sexual a partir do início do segundo fundamental, que terá aulas específicas sobre anatomia, doenças sexualmente transmissíveis e prevenção contra a gravidez, até o último ano do ensino. Por conseguinte, será possível que as meninas possam viver plenamente sua juventude e gozar do direito a educação.