Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 26/09/2020
No documentário “Meninas: gravidez na adolescência”, é retratada a vida de algumas adolescentes que vivem na periferia do Rio de Janeiro e enfrentam o dilema da gestação precoce. Essa obra cinematográfica traz à tona a realidade de jovens de classes sociais menos favorecidas economicamente que mantêm relações sexuais sem a utilização de preservativos - seja por desconhecimento, seja por indiferença - e engravidam sem que haja o devido planejamento familiar. Sob essa ótica, é primordial analisar a ausência de orientação a esses indivíduos acerca desse problema, bem como os efeitos deste no aumento dos índices de evasão escolar.
É imperioso salientar, a princípio, que um dos principais causadores da gestação precoce no Brasil está associado à negligência familiar e escolar no que concerne à orientação sobre a sexualidade. Tal fenômeno confronta o pensamento do psiquiatra Sigmund Freud, que defende que as pessoas devem passar pelas fases da sexualidade de maneira natural para que não ocorra o processo de adultização. Nesse sentido, denota-se que o contraste existente entre a realidade das jovens das periferia brasileiras e a teoria de Freud interfere diretamente na juventude delas, uma vez que, ao engravidarem, essas adolescentes antecipam muitas das responsabilidades da vida adulta e enfrentam tanto o despreparo na criação de um criança quanto os riscos à saúde provocados por uma gravidez na adolescência.
Ademais, infere-se que a gestação precoce é, reiteradamente, acompanhada da evasão escolar. Isso pode ser visto no documentário “Meninas: gravidez na adolescência”, no qual muitas das garotas abandonavam a escola para cuidar de suas filhas. Dessa forma, quando essa questão é relacionada ao pensamento do sociólogo Thomas Humphrey Marshall, percebe-se que essas jovens não têm a sua cidadania garantida, uma vez que, para ele, esta é caracterizada pela garantia dos direitos políticos, civis e sociais à população. Por conseguinte, por não usufruírem do direito à educação, elas encontram obstáculos ao tentarem se inserir no mercado de trabalho e contribuem para a manutenção da desigualdade social, haja vista que elas passam a ter poucas oportunidades de ascender socialmente.
Depreende-se, portanto, que a pífia educação sexual na juventude corrobora a existência da gestação precoce no Brasil. Posto isso, com vistas a subverter o paradigma da gravidez na adolescência, urge que o Ministério da Educação crie, por meio da utilização de subsídios governamentais, campanhas publicitárias que serão expostas nos principais canais de televisão. Essa medida deverá dar ênfase na importância da orientação sobre a sexualidade no ambiente familiar na prevenção do problema supracitado e mostrar a relação entre este e a evasão escolar. Somente assim, desconstruir-se-á a realidade abordada no documentário “Meninas: gravidez na adolescência”.