Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 18/10/2020

Regra ou Exceção?

Abordando o conceito do ensaio Experiência e Pobreza do filosofo Walter Benjamin, a vivência quando transformada em experiência, é uma forma de comunicação com a juventude da geração seguinte, e deve ser transmitida com a finalidade de provocar a reflexão. A falha dessa comunicação é produtora de um canário caótico. Relacionando esse pensamento com a atualidade, têm-se como resultado dessa falha um cenário de desigualdade na educação e crise na saúde pública, gerados pela gravidez na adolescência. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar o que tange a gravidez na juventude.       Visto que a evolução psicossocial está atrelada a alta escolarização, a gestação precoce atinge majoritariamente a população vulnerável, que não dispõem de qualidade de ensino, educação sexual - métodos contraceptivos, reprodução, doenças sexualmente transmissíveis, planejamento familiar-  e nem mesmo um diálogo aberto sobre a sexualidade. Como afirma Maquiavel “As ações e comportamentos humanos são consequência e são  influenciados pelo meio social onde vivem”, dessa forma, em ambientes onde esse fato é visto não mais como uma exceção, mas como a “regra”, algo que sempre ocorre, a prática é normalizada, o que torna a mudança de comportamento muito mais desafiadora.

Salienta-se ainda, a importância de conscientizar os jovens do risco em que são expostos, como a grande mortalidade materna entre a idade de 15 a 24 anos e os danos que podem ser causados a saúde do bebê, como também os traumas psicológicos para a mãe e para a criança futuramente. De acordo com a ONU, o Brasil apresenta uma taxa de adolescentes gestantes maior que a taxa mundial, essa informação é extremamente preocupante, e revela a gravidade da saúde pública do país. Com a maioria esmagadora de casos vindo de famílias pobres, culmina também para a permanência no ciclo da pobreza, principalmente por motivar a evasão escolar, dificultar a procura por um trabalho por conta do preconceito, e dos gastos provocados pelo recém-nascido.

Infere-se, portanto, que a gravidez na adolescência, torna-se evidente em uma nação onde a educação não é acessível para todos, fazendo da própria população vítima da ignorância. Como medida para resolver a problemática, é preciso da democratização da informação e da orientação, recorrendo ao Ministério da Saúde, que unido ao Estatuto da Criança disponibilize palestras, conversas e até mesmo aulas gratuitas sobre planejamento familiar e educação sexual, os integrantes que pertencerem a classes mais pobres podem ser incentivados financeiramente pelo Governo Federal, com o objetivo de tornar a “regra”, novamente uma exceção, reduzindo a gravidez na adolescência no país.