Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 17/11/2020
Na série original da Netflix, “Sex Education”, a personagem Maeves acaba engravidando durante a adolescência depois de uma relação sexual sem proteção. No que tange esse assunto, a realidade da gravidez precoce no Brasil tem crescido exponencialmente no decorrer dos anos e, por isso, faz-se imperioso responsabilizar não apenas a incompetência estatal em relação a educação sexual e corporal para jovens, mas também à filosofia niilista exercida pela mídia hollywoodiana de banalização do sexo.
Nessa perspectiva, a educação pública tem sido ineficaz na formação de uma visão reflexiva em relação ao sexo, visto que o número de jovens mães tem aumentado. Sem o conhecimento biológico básico sobre relações afetivas e o corpo humano, o adolescente depende da própria sorte e notícias falsas propagadas online. A tímida instrução sobre o tema tem mais ensinado a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) a gravidez, o que é insuficiente para uma vida sexual madura. Com a incisiva campanha extremamente conservadora de impedir esse tipo de educação que impõe limites e não incita ao ato, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, propaga notícias falsas sobre o tema, como o famoso “kit gay”. Como consequência disso, as políticas têm a tendência desaparecerem no decorrer do mandato, fato que desampara muitos jovens e deixa a expectativa para uma instrução domiciliar.
Ademais, a adolescência é um período de aprendizagem e amadurecimento do córtex pré-frontal. Por isso, é comum que jovens arrisquem-se em razão de uma vida sexual mais intensa, desconsiderando as consequências futuras, como a gravidez. No entanto, a mídia hollywoodiana foi uma importante auxiliar da filosofia niilista de banalização sexual por meio de filmes e séries, não propagando relações com o uso de preservativos, mas apenas no prazer imediato que o ato resultará. Em resultado, a juventude brasileira, má influenciada, pratica relações sexuais com um maior número de pessoas em busca do prazer efêmero da serotonina, beirando ao desinteresse de uma paternidade precoce, além de arriscar a saúde com possíveis DSTs.
Assim, cabe ao Ministério da Educação, atrelado ao Ministério da Saúde, promover um maior destaque de investimentos para educação sexual e gravidez na adolescência nas escolas, por meio de emendas constitucionais, destinando o capital para instituições de ensino em todo o Brasil, em especial, para o ensino público, com o objetivo de informar os jovens sobre o assunto por meio de palestras incentivadoras. Além disso, as mídias de informação e redes sociais famosas, como o Instagram, devem ensinar informações, preocupações e consequências de uma gravidez precoce na formação de um indivíduo, com o fito de conscientizar os jovens internautas com a vida sexual ativa. Dessa maneira, a situação da personagem Maeves poderá ficar apenas nas telas da Netflix.