Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 19/10/2020
Milton Santos, geógrafo brasileiro, disse que nunca houve tantas condições técnicas e científicas para a construção da dignidade humana. O Brasil vai de encontro ao pensamento do profissional no que tange à gravidez na adolescência que está em evidência no país e é decorrente de diversos motivos, como falta de informação e condições socioeconômicas. Faz-se necessário, portanto, modificar essa realidade e garantir melhores condições para as meninas afetadas.
Primeiramente, é importante ressaltar que o organismo feminino passou por mudanças. O que ocorre é que, há alguns anos, a menarca (primeira menstruação) ocorria aos 17 anos e hoje, entre 9 e 12 anos. Isso prejudica, em parte, as meninas, pois a fase fértil precoce pode aumentar os casos de gravidez na adolescência. Nesse sentido, um fator responsável por isso é a falta de informação, principalmente nas classes sociais mais baixas, que tem pouco acesso a dados. Assim, não sabem da existência, como adquirir ou, principalmente, como utilizar corretamente os métodos contraceptivos. Isso é comprovado ao se considerar que sexo ainda é pouco discutido e ao invés dos jovens conversarem com os pais ou com profissionais, buscam na pornografia ou nos colegas o apoio necessário, comprovado por psicólogas da Editora Planeta. Nesse sentido, nota-se a importância de aulas de educação sexual, ainda que se tenha a falsa crença que há estímulo à vida sexual.
Outrossim, é necessário destacar que as meninas que engravidam mais cedo têm entre 15 e 19 anos, são de baixa renda e estão em situação de vulnerabilidade, ou seja, podem ter problemas financeiros, abandono parental, não estarem na escola, entre outros, de acordo com o site da Globo. Assim, por estarem com o corpo ainda em desenvolvimento, elas têm mais chance de ter problemas na gestação, prejudicando tanto o feto quanto a si mesmas. Alguns exemplos são a ocorrência de aborto espontâneo, complicações no aborto induzido (já que é proibido no Brasil), depressão pós parto, além de inúmeros outros. Essa realidade é decorrente da falta de acesso a hospitais, acompanhamento pré-natal, falta de planejamento reprodutivo. Portanto, percebe-se que o acesso aos serviços básicos poderia diminuir os casos de gravidez precoce.
Diante do exposto, é perceptível que a taxa de gravidez entre adolescentes ainda é grande no Brasil (mais que em outros países) e que a resolução desse problema se encaixa no pensamento do escritor George Orwell de que um país se muda pela cultura e educação. Dessa forma, é imprescindível que as escolas ensinem sobre sexualidade, principalmente sobre métodos contraceptivos e sua prevenção contra gravidez e doenças, por meio de palestras e aulas, e forneçam apoio médico de forma a ampliar o acesso à informação e garantir uma vida mais segura e digna para essas meninas.