Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 22/10/2020
A série americana “Gilmore Girls”, relata a vida da protagonista que engravida na adolescência, mostrando as dificuldades na sua rotina e as várias mudanças que ocorreram. Fora da ficção, esse cenário é presente no Brasil, principalmente em áreas com vulnerabilidade social. Desse modo, é perceptível que a gravidez precoce é um problema na sociedade, visto que há uma lacuna educacional sobre o tema e entraves socioeconômicos. Diante disso, analisar o atual contexto é necessário para que medidas apenas sintomáticas sejam evitadas.
A princípio, verifica-se que existem lacunas na educação integral no Brasil. Segundo estudo publicado no Jornal da Globo, as principais regiões afetadas são nos estados do norte e nordeste. Nesse sentido, a falta de informações sobre a educação sexual nas escolas e no ambiente familiar dificulta a diminuição dessa mazela social, que é retratada muitas vezes como tabu. Desse modo, essa gravidez precoce prejudica os adolescentes e familiares, pois falta planejamento, afeta o psicológico dos envolvidos e risco de vida para a mãe e o bebê. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 75% das adolescentes que tem filhos estão fora da escola. Logo, não deve ser ignorado as consequências que a gravidez na adolescência causam e a importância do debate nas instituições de ensino e familiar sobre sexualidade e métodos contraceptivos.
Ademais, o pertencimento a núcleo familiar de baixa renda agrava essa problemática. Em 2018, o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) constatou que a gravidez precoce afeta principalmente populações de baixa renda. Assim, quanto mais pobres, menos informações, oportunidades e planejamento familiar essas pessoas têm, o que faz com que muitas meninas se submetam a relacionamentos abusivos e casamentos infanto juvenis, por medo de não conseguirem se manterem sozinhas financeiramente ou pelo medo de ter que se prostituirem. Segundo dados da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o Brasil ocupa o quarto lugar em no mundo em números de mulheres casadas antes dos 15 anos.
Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação em parceria com as escolas ensinar, por meio de aulas e palestras, a importância dos métodos contraceptivos para evitar doenças sexualmente transmissíveis e uma gravidez indesejada, explicando sobre os problemas que cercam a gravidez precoce, como a dificuldade no mercado de trabalho para a mulher e aumento do índice de pobreza, a fim de diminuir esses casos. Outrossim, deve também ensinar a responsabilidade e obrigações do homem em ser pai nessas ocasiões. Feito isso, a sociedade caminhará para uma redução nos números de gravidez na adolescência.