Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 28/10/2020

Definida pelo filósofo Émille Durkheim como uma instituição, a sociedade cria preceitos e padrões éticos e morais , que atuam de forma coercitiva e exterior ao indivíduo. Nesse âmbito, o ¨ fato social¨, evidenciado por Durkheim, atua como supressor de certos assuntos relevantes na convivência humana,pois, são cercados de tabus e preconceitos. Diante dessa perspectiva , evidencia-se, na contemporaneidade, uma temática bastante complexa: a gravidez na adolescência, problemática essa que é motivada principalmente pelo preconceito e pela conivência governamental.

Primeiramente, é necessário entender que a falta de exposição da temática sexualidade agrava os casos de gravidez precoce. Em uma sociedade machista, marcada pela doutrinação católica, a figura feminina é desamparada no que tange a debates sobre o corpo, visto que, durante séculos o papel da mulher era visto como genitora de filhos, dessa forma, abordagens sobre educação sexual eram inexistentes. Reflete-se ainda, na atualidade, traços desses preceitos preconceituosos , já que , ainda é considerado um tabu discutir sobre relações sexuais , principalmente em ambientes escolares e emissoras televisivas, fato esse que propicia a falta de informação e consequentemente propaga a gravidez na adolescência.

Em uma segunda análise, é válido destacar a conivência do Estado frente a essa problemática,pois, a ineficácia no cumprimento da lei é nítida. Diante da Constituição Federal vigente, é configurado como dever governamental fornecer acesso à saúde, entretanto, é evidente a precariedade do Sistema Único de Saúde, que possui listas enormes de espera por atendimento e sofre com a limitante de médicos. Ademais, essa defasagem na equipe de médicos , é a principal responsável pelos casos de gravidez na adolescência, visto que, através de atendimentos ginecológicos essa ação poderia ser evitada, porém, a enorme demanda de atendimentos não é comportada por esses profissionais. Dessa forma, ratifica-se, a negligência do governo em prestar o suporte para retardar os casos de jovens grávidas.

Dessarte, diante do exposto, é  observado que a conivência do Estado e os preconceitos sobre a discussão do sexo atuam como equalizadores da gravidez na juventude. Logo, cabe ao Governo Federal , por meio de um maior investimento no setor da saúde, disponibilizar um maior número de ginecologistas no SUS, com a intenção de suprir a alta demanda por atendimentos, para reduzir os casos de jovens grávidas. Somado a isso,são essenciais os papeis das escolas e das mídias, na propagação de informações sobre educação sexual, elas que devem ser realizada por meio de debates em horários nobres em veículos comunicativos de grande circulação e em reuniões com os pais, mediadas por médicos, nos ambientes escolares , a fim de erradicar o tabu instaurado pela sociedade.