Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/01/2021
A Revolução Industrial, processo que alavancou a produção mundial, trouxe consigo a redução da natalidade pela inserção da mulher no mercado de trabalho e pelo desenvolvimento de métodos contraceptivos. No entanto, mesmo após séculos de progresso, a fecundidade entre adolescentes ainda figura de forma elevada no Brasil, o que representa grave problema para a nação, pois acentua a evasão escolar e a menor qualificação. Assim, seja causada pela incipiente educação sexual dos jovens, seja pela indisponibilidade ou não uso de métodos preventivos, a gravidez na adolescência deve ser evitada.
Nessa perspectiva, o reduzido ensino sexual dos jovens colabora para que as gravidezes indesejadas na adolescência ainda sejam comuns no Brasil. Nessa perspectiva, o filósofo Immanuel Kant desenvolveu o conceito de minoridade, segundo o qual indivíduos sem um conhecimento adquirido acabam por permanecer dependentes do de outros ou ignorantes ante as necessidades. Nesse sentido, a ausência, em muitas escolas, de aulas sobre sexualidade e maneiras de evitar uma gravidez precoce é favorável para que os jovens mantenham-se ignorantes aos riscos de fecundidade, aumentando, assim, o número de gestantes nessa fase. Tal fato é incoerente num Estado Democrático de Direito, no qual a educação deve ser a base de uma sociedade.
Ademais, a falta de uso ou indisponibilidade de métodos contraceptivos também representa grave entrave para que a gestação precoce ainda seja frequente no Brasil. Nesse viés, o sociólogo francês Émile Durkheim definiu que o princípio da normalidade está associado ao comportamento dominante. Dessa forma, enquanto o não uso de preservativos for frequente, tal comportamento será normalizado, o que corrobora a problemática da gravidez na adolescência. Além disso, em localidades distantes dos grandes centros, postos de saúde não possuem disponibilidade de contraceptivos para oferecer à população. Desse modo, enquanto a ausência de proteção for a regra, jovens pregnantes serão uma realidade.
Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que as escolas, em parceria com os pais, incentivem o uso de métodos contraceptivos e sua importância, a fim de reduzir a incidência da gravidez na adolescência. Isso poderia ser feito por meio de aulas, palestras e oficinas que tenham como tema a importância da prevenção da fecundidade precoce e de doenças sexuais, além de distribuir preservativos, num projeto denominado ‘‘Saúde Presente’’, que objetivaria a redução do número de jovens pregnantes. Desse modo, poder-se-á alcançar uma sociedade saudável, livre e justa, tal qual objetivado pela Carta Magna.