Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 07/11/2020

A cultura judaico-cristã, ao longo de milhares de anos, atribuiu à mulher a obrigação da reprodutividade, o que a pressionou socialmente ao matrimônio e a gestação precoces. Isso mudou parcialmente com a globalização e a entrada feminina no mercado de trabalho, já que houve a escolha por uma reprodução tardia. Entretanto, no Brasil, devido à existência de uma ineficiente educação sexual e de pessoas com baixo nível financeiro e social, a gravidez na adolescência ainda se faz presente. Nesse sentido, é imprescindível um debate entre Estado e sociedade, a fim de que políticas públicas de prevenção à saúde dos adolescentes sejam consolidadas.

A priori,pode-se destacar a obsoleta educação sexual nas escolas como causa para a existência de gestantes jovens no país. Dessarte, a frase de Sêneca sobre a educação influir sobre toda a vida é consolidada, à medida que, seja por educar apenas com objetivo acadêmico,seja por tratar majoritariamente sobre IST’s ( Infecções Sexualmente Transmissíveis), os centros de ensino são displicentes na orientação de como manipular os métodos contraceptivos para um uso efetivo. Por consequência, os adolescentes crescem, como disse o professor Paulo Freire, resultados de uma “educação bancária”, que deposita informações, mas não conscientiza. Assim, esse público desconhece a importância da prevenção da gravidez precoce para o seu desenvolvimento psicossocial e negligencia o uso, por exemplo, dos preservativos.

A posteriori, convém ressaltar a existência de pessoas com baixa perspectiva financeira e social como agravante para esse cenário. Dessa forma, a ideia da escritora, Françoise Héritier,sobre o mal começar com resignação pode ser destacada, baseado na conjuntura de que o Estado é displicente no que cerne à distribuição de recursos para a promoção de políticas públicas que melhorem a perspectiva de vida das classes sociais menos avantajadas. Com isso, os jovens que fazem parte dessa parcela da população, como uma forma de obterem realização pessoal - que, segundo Sidarta Gautama, é uma necessidade de todos - optam por terem filhos precocemente. Por consequência, a saúde mental e física da mulher e do bebê é colocada em risco. Ademais, há uma desestruturação familiar.

Diante disso, torna-se evidente o descompasso entre Estado e sociedade na resolução dos erros existentes. Cabe, portanto,respectivamente, ao Ministério da Educação, órgão responsável pela gestão educacional do país, a redefinição da Base Nacional Comum Curricular com a introdução da obrigatoriedade da demonstração, em objetivos fictícios quando necessário, de como operar os métodos de contracepção e a importância social destes;e ao Ministério da Economia, a criação de um fundo destinado à orientação vocacional dos jovens. Assim, uma juventude saudável será promovida.