Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 12/11/2020

Conforme a primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando-o de percurso. Logo, ainda que a ciência aliada à tecnologia tenha contribuído para os mecanismos que facilitam a vida humana, como o acesso às informações, ainda assim existem obstáculos a serem superados, em combate a gravidez na adolescência. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz de reverter essa situação, os desafios a respeito da falta de conhecimento sobre as implicações da gravidez precoce, bem como o preconceito sofrido acaba por contribuir com a situação atual.

Em primeira análise, para o filósofo Zygmunt Bauman, as relações sociais tendem a ser menos duradouras, de modo que o individualismo prioriza o presente instantâneo. Nesse sentido, é notório que a falta de comunicação permite que o indivíduo não compreenda os fatores que preocupa a sociedade. Tanto que, embora a gravidez precoce diz respeito sobre crianças, faz-se necessário a presença de diálogos familiares, para que os prazeres imediatos priorizem a responsabilidade. Até porque, a gravidez na adolescência gera problemas, principalmente em pessoas de classe média baixa, uma vez que a falta de condições financeiras condiciona o ciclo da pobreza, já que muitos deixam a escola para cuidar do filho e, com isso, a perspectiva para inserir no mercado de trabalho é afetada.

Sob um segundo enfoque, de acordo com a socióloga Hannah Arendt, o mal banal se caracteriza pela ausência de pensamento, submetendo-se a uma lógica externa que não percebe a culpa nos atos que pratica. Diante disso, ainda que ocorra a perda da infância em prol dos cuidados ao filho, existe ainda os conflitos internos de sofrimento, acometidos pelo preconceito em julgar o próximo, desprezando qualquer tipo de respeito, além de intensificar o isolamento social da vítima.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que realizem a mudança do percurso. Para isso, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, trabalhos coletivos nas escolas, sendo administrados por pediatras. Para isso, deve ser feito debates direcionados aos pais, para que seja priorizado o incentivo ao diálogo com os filhos, já que a instrução mostra o caminho a ser seguido. Enquanto isso, deve ser orientado aos alunos, acerca da importância sobre o uso de preservativos, uma vez que é fundamental para evitar a gravidez. Somente assim, será possível a mudança do percurso, a fim de garantir a perspectiva de uma geração mais segura e consciente.