Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Na série “Big Mouth”, da Netflix, são abordados temas como a puberdade e o sexo no período de pré-adolescência dos personagens. Apesar de ser uma comédia adulta, ela é assistida por jovens, os quais buscam informações sobre essa temática em programas televisivos e na internet, por não serem elucidados corretamente em ambientes familiares e escolares. Essa realidade se reflete, principalmente, no aumento da gravidez precoce na sociedade. Sob essa ótica, compreender esse cenário é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que a falta de conhecimento dos adolescentes e o assédio sexual são notados.
É preciso considerar, antes de tudo, que falar sobre sexualidade no país ainda é um tabu, de modo a gerar desinformação. Nesse sentido, com a ausência de aulas, nas escolas, relacionadas ao uso de contraceptivos e a falta de diálogo com os pais ou responsáveis, inúmeras garotas têm gravidez precoce pela não utilização de métodos anticoncepcionais. Prova disso é que, segundo o Ministério da Saúde, 65% das gestações em meninas entre 10 e 20 anos não são intencionais. Tal realidade, em acordo com o Método Científico, do filósofo Francis Bacon, o qual destaca que conhecimento é poder, ratifica a necessidade de o corpo social ter maior entendimento acerca do assunto.
É válido ressaltar, ainda, a existência da cultura do estupro presente no Brasil. Desse modo, tal costume banaliza, legitima e justifica as agressões sexuais contra as mulheres, de forma a compactuar com o crescimento das gestações em menores de idade. Esse pretexto é ilustrado pelos dados do Ministério da Saúde, o qual relata que quase 5 mil menores de idade, violadas sexualmente, deram à luz em 2016. Essa conjuntura, em consonância com o filósofo Hobbes, o qual salienta que Estado e indivíduo devem fazer um contrato social para que ambos possam desenvolver a segurança, visto que “o homem é o lobo do homem”, demonstra a urgência de ações efetivas para sanar tal problemática.
Evidencia-se, portanto, que são muitas as causas que levam à gravidez prematura. Para contrapor as situações, o Ministério da Educação deve proporcionar uma mudança na grade curricular brasileira, por meio da adição de disciplinas voltadas para a educação sexual, a fim de incentivar a prática segura entre os adolescentes. Outrossim, cabe ao Poder Legislativo, em ação conjunta ao Poder Judiciário, aperfeiçoar a lei, de 1940, a qual condena abusadores, por intermédio de sanções que tornem as punições mais rígidas e adequadas à atualidade, com a finalidade de evitar abusos sexuais. Destarte, será possível conter tais impasses, na medida em que o governo brasileiro seguirá o legado de Hobbes.