Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 24/11/2020
Na obra cinematográfica brasileira “Malhação: Viva a Diferença”, a protagonista, Keyla, deu a luz ao seu filho em um transporte público, na cidade de São Paulo, transformando sua vida por meio dos dilemas da maternidade, unidos ao da adolescência. Fora dos limites ficcionais, no contexto nacional atual, a gravidez precoce tornou-se um impasse frequente. Dessa maneira, tal situação advém da negligência estatal e da ausência de conscientização efetiva.
Preliminarmente, torna-se indubitável a relevância do Estado, o qual possui responsabilidades além da seara jurídica, permeando alguns setores da vida em sociedade. Entretanto, esse ideal não se cumpre, uniformemente, em todos as temáticas. Consequentemente, projetos que abordam preservação sexual, como o Eu Escolhi Esperar, idealizado pelo casal Nelson e Ângela, são tratados como uma privação dos direitos individuais, uma negação ao próprio corpo, e não um impasse de saúde pública. Assim, percebe-se a falta de apoio às adolescentes, havendo o rompimento do direito de vida plena, devido à ausência de informação e assistência oferecidos.
Em segunda análise, faz-se relevante ressaltar o índice de evasão escolar, divulgado em 2018 pelo Correio Braziliense, o qual relata que adolescentes de 15 a 17 anos, os quais deveriam estar no ensino médio, apenas 84,3% estudam, efetivamente. Ainda, segundo o Governo Federal, a taxa de gestação na adolescência, quanto à faixa etária, inclui 534.364 crianças geradas por mães com idade entre 15 e 19 anos. Dessa maneira, percebe-se que a gravidez precoce incita o abandono da vida estudantil, imprescindível para adquir-se conhecimento e cultura, além de um emprego com boa remuneração. Tal situação exemplifica-se na vida de Keyla, a qual em “As Five” enfrenta dificuldades para permanecer em seu emprego, pois deixou os estudos prematuramente.
Por conseguinte, torna-se perceptível a relevância de medidas que solucionem esse impasse. Assim sendo, cabe à União, em forma de Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, incentivarem a preservação sexual e integridade emocional dos adolescentes, por meio de projetos em instituições educacionais. Além disso, evidencia-se a necessidade de conscientização nacional, por meio de obras cinematográficas, como Malhação, a compreenderem essa situação. Dessa maneira, será possível amenizar tal adversidade.