Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 25/11/2020

Na série “Gilmore Girls”, apresentada pela plataforma de streaming Netflix, uma de suas personagens principais engravida e, devido a isso, abandona seus estudos e seu lar pela falta de apoio familiar. Essa situação juvenil, de gravidez precoce, não se restringe ao cenário cinematográfico, visto que faz verossimilhança com a realidade de muitos jovens no Brasil e no mundo. Nesse cenário, os jovens, por atitudes involuntárias ou decisões conscientes, carregarão consequências que terão grande impacto ao longo de sua vida, tanto sociais, quanto financeiras e emocionais.

Em primeiro plano, cabe citar que a Revolução Sexual, no final do século XX, criou uma nova perspectiva social que desafiou os códigos tradicionais de comportamentos relacionados à sexualidade humana e aos relacionamentos interpessoais. No entanto, essa revolução não veio alicerçada a uma educação sexual efetiva, fato que desencadeou vários problemas, principalmente, entre os jovens. Diante disso, o filósofo Kant define a menoridade como a incapacidade do homem de fazer uso de seu próprio entendimento autonomamente, ou seja, sem a tutela de uma razão alheia. Essa filosofia, na sociedade atual, se aproxima com as atitudes de muitos jovens que, ao se intitularem autossuficientes, tornam-se vulneráveis a inúmeros problemas, como uma gravidez precoce.

Em consequência disso, ao engravidar, as adolescentes têm seus projetos de vida alterados, o que pode contribuir para o abandono escolar e a perpetuação dos ciclos de pobreza, desigualdade e exclusão. Segundo o Ministério da Educação, a gravidez é responsável por 18% da evasão escolar entre meninas, logo, esse dado impacta socioeconomicamente o país, pois, devido à baixa escolaridade, as oportunidades de emprego decaem significativamente. Além disso, muitas vezes, ocorre o “aborto paterno”, quando há abandono da figura do pai e, consequentemente, a mãe é encarregada de lidar com todas as despesas econômicas e cuidados com a criança.

Para romper esse ciclo de gravidez na adolescência, portanto, é preciso o engajamento de toda sociedade. Para tanto, o Ministério da Saúde deve criar políticas de prevenção e apoio aos jovens por meio do acesso facilitado a ginecologistas e métodos contraceptivos, como preservativos e pílulas anticoncepcionais, e desenvolvendo programas de apoio emocional e financeiro para os jovens que vivem essa situação, com ajuda de custo para mães/famílias em vulnerabilidade socioeconômica, objetivando minimizar os impactos negativos de uma gravidez precoce e impedindo que outros jovens enfrentem essa realidade. Por fim, a família precisa instruir sobre os malefícios de se engravidar na juventude por intermédio de uma comunicação direta com os jovens, principalmente, sobre sexualidade, a fim de garantir o acesso de adolescentes e jovens à informação correta e em linguagem adequada. Dessa forma, situações como as retratadas em Gilmore Girls ficarão somente no mundo ficcional.