Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 02/12/2020

Muito se tem discutido, recentemente, acerca da gravidez na adolescência em evidência no Brasil. Fase que se estende dos 10 aos 19 anos, segundo a OMS, a adolescência é um período delicado no qual ocorrem mudanças de cunho psicoanalítico que, segundo Freud, são responsáveis pelo desenvolvimento pessoal e social do indivíduo. Dessa forma, fica claro que a gravidez precoce - decorrente tanto da carência da educação sexual no país quanto das grandes disparidades socioeconômicas - pode trazer consequências incontornáveis aos indivíduos, por isso, deve-se colocar o assunto em evidência.

Diante disso, tendo como base as origens do problema, deve-se considerar, em primeiro plano, a falta da educação sexual nas escolas brasileiras. Considerada um Direito Humano por parte da ONU, a educação sexual, ao explicitar tabus sociais - como as ISTs e o uso de métodos contraceptivos - permite que o indivíduo não só tenha mais ciência das consequências de uma possível gravidez, como também auxilia no controle da natalidade entre os jovens. Tal fato pode ser comprovado ao analisar dados da OMS os quais evidenciam a eficácia de se debater o assunto nas escolas, pois em países como os Estados Unidos - onde alguns estados adotam o debate ao tema - em um período de 10 anos houve a redução da gravidez precoce em 44%, enquanto no Brasil a redução foi de, apenas, 4,5%.

Aliado a isso, as condições socieconômicas e disparidades sociais também podem ser consideradas como elemento vital para os altos números de gestação precoce no país. Assim, tendo em vista que 1 a cada 4 brasileiros vive abaixo da linha da pobreza - de acordo com o IBGE - é notável que nem todos os indivíduos possuem acesso a uma educação de qualidade e a uma perspectiva de vida que envolve a entrada da mulher no mercado de trabalho via qualificação profissional, fato que aumenta as chances das jovens serem mães. Isso se torna evidente ao se analisar que o Brasil possui um dos maiores níveis de gravidez precoce da América Latina, conforme relatórios da ONU.

Fica claro, portanto, a necessidade de intervenções que possam minimizar a incidência da gestação precoce na sociedade brasileira. É imprescindível, desse modo, a ação do Poder Legislativo no que tange a elaborar e aprovar uma lei que torne obrigatória a educação sexual nas escolas para as turmas do sexto ano ao terceiro ano do ensino médio, via palestras semestrais, a fim de que a gravidez precoce seja mitigada no país. Ademais, é papel da sociedade pressionar as autoridades para que haja o aumento do investimento em educação de qualidade para todos, por meio da mobilização nas redes sociais, para que jovens socioeconomicamente vulneráveis tenham maior acesso a uma perspectiva de vida melhor, fazendo com que o desenvolvimento psicossocial do adolescente seja positivo e saudável.