Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 03/12/2020
No documentário “Meninas”, é exposto o cotidiano de adolescentes grávidas no Brasil, bem como os diversos percalços enfrentados por elas. Consoante a esse quadro, é fato que a atual sociedade brasileira apresenta um crescente índice de gravidez precoce. Nesse contexto, a ausência de projetos por parte do poder público, atrelada a uma enraizada moral patriarcal na sociedade, inviabiliza qualquer discussão no que tange a sexualidade e, com isso, tende a prorrogar a resolução desse problema. Logo, essas situações contribuem para a degradação da saúde dos jovens.
É pertinente abordar, a priori, que a exiguidade de conhecimento sobre os métodos contraceptivos e, também, a falta de debates relacionados às questões da sexualidade tornam-se um dos principais fatores relacionados ao aumento dos casos de gravidez na adolescência. Posto que a omissão familiar, conjuntamente com a incapacidade do Estado em promover palestras e campanhas nos ambientes escolares e nas mídias digitais propende a delimitar o campo de visão dos jovens sobre esse assunto e, assim, os mesmos tomam esse escasso conhecimento como limites invariáveis e, com isso, tornam-se mais vulneráveis a esse paradigma de saúde pública. Dessarte, reverbera-se a necessidade de descontruir moralmente esse tabu sobre o sexo e a crença equivocada de que a discussão desse tema encoraja essas pessoas a tornarem-se sexualmente ativas.
Por conseguinte, é evidente que a inexistência de programas conscientizadores tem influenciado na expansão de tal obstáculo, pois segundo relatório divulgado em 2019 pela ONU (Organização da Nações Unidas), a taxa de gravidez na adolescência no Brasil, considerando uma faixa etária de 15 a 19 anos, é de 62 para cada mil habitantes. Ademais, nota-se que uma parcela da população que mais sofre com essa problemática são indivíduos isentos da assistência estatal e que sofrem com problemas econômicos e uma defasagem educacional. Assim, ocorre o descumprimento das diretrizes presentes no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), já que, por fatores biopsicológico, a gravidez precoce prejudica o bem-estar e a saúde dos jovens e, destarte, reverbera-se tal inconstitucionalidade.
Depreende-se, portanto, que o crescente número de adolescentes grávidas advém, principalmente, da escassez de agentes propulsores de informações consistentes e de respaldo. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve disponibilizar maiores verbas e, desse modo, incrementar a Base Nacional Comum Curricular nas instituições de ensino. Isso tudo, mediante à capacitação de profissionais que ensinem sobre essa temática e busquem fornecer o conhecimento necessário para esclarecer e educar sexualmente essas pessoas e seus genitores e, assim, amenizar ou até erradicar essa adversidade social.