Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 22/12/2020

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gravidez na adolescência configura-se como gestação de alto risco, além de ocasionar sequelas psicológicas e biológicas. Partindo desse pressuposto, é notório que a problemática é uma mazela hodierna no Brasil, tendo entre suas principais causas a falta de instrução quanto aos métodos de prevenção e as desigualdades sociais que potencializam situações de maior vulnerabilidade. Em vista disso, é necessário discutir os altos índices da gravidez na adolescência no Brasil.

Exordialmente, convém destacar que a desinformação e a ausência da educação sexual tanto no ambiente doméstico quanto nas escolas é, decerto, um dos principais fatores contribuintes para a gestação adolescente. Segundo estudo realizado pela Federação Internacional de Planejamento Familiar, o Brasil apresenta o pior índice de educação sexual na América Latina, dado que é consequência não apenas da conduta negligente do Estado, porém igualmente do tabu social e da mentalidade conservadora da população. No musical “Spring Awakening”, a personagem Wendla é uma adolescente cuja mãe se recusa a fornecer instruções sobre questões sexuais e métodos contraceptivos, o que culmina na jovem grávida aos 14 anos. Ainda que ficcional, o acontecimento é retrato da realidade de adolescentes que iniciam a vida sexual em meio a dúvidas que não são sanadas por imprudência de seus responsáveis.

Outrossim, as discrepâncias socioeconômicas são similarmente agentes propulsores das taxas de gravidez na adolescência, posto que as baixas condições de poder aquisitivo se relacionam com a pouca escolaridade e adolescentes nessas condições estão mais suscetíveis ao sexo desprotegido e inconsequente. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, os casos de gestação na infância e juventude prevalecem principalmente nas famílias de renda baixa e com incidências anteriores de gravidez na adolescência. Por conseguinte, é possível constatar um ciclo alarmante provocado pela carência de conhecimento e por um discurso falacioso de castidade e pureza que não é benéfico, apenas repressor.

Portanto, diante das problemáticas expostas, depreende-se a urgência de uma ação do Estado em conjunto com o Ministério da Educação, mediante a elaboração de uma campanha de educação sexual permeada por palestras, rodas de conversa e aulas sobre métodos contraceptivos nas redes de ensino públicas e privadas, visando informar, sanar dúvidas e prestar assistência aos adolescentes. Ademais, a criação de um fórum on-line com participação de profissionais da área expandiria o processo educacional. Destarte, a juventude estaria informada, tendo sua integridade e direitos respeitados.