Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 10/12/2020

O filme britânico Simplesmente Acontece, conta a história de uma adolescente com diversos planos para o futuro, porém após o uso inadequado do preservativo durante a relação sexual, a jovem engravida, enfrentando diversas dificuldades durante a gravidez,  uma vez que o pai do bebê à abandona e a garota acaba tendo que colocar seus sonhos de escanteio para cuidar da criança sem auxílio. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da gravidez na adolescência em evidência no Brasil, dado que o problema interfere na vida de inúmeras garotas. Nesse contexto, torna-se compreensível como causas a negligência familiar e uma base educacional lacunar.

A princípio, o descuido da família em relação às orientações preventivas sexualmente, caracteriza-se como um complexo dificultador para a resolução do problema. Isso posto,  o sociólogo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida” indica que existem as “instituições zumbis”, as quais são instituições que se mantêm, mas não exercem a sua verdadeira função. Sendo assim, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, a cada mil brasileiras de 15 a 19 anos, 68 engravidam. Dessa forma, em analogia com a problemática, nota-se que a entidade familiar não está exercendo seu posto ao não dialogar com seus adolescentes sobre os riscos de uma gravidez precoce e os cuidados necessários para evitá-la, influenciando na consolidação desse impasse.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a lacuna educativa presente, uma vez que as escolas não estão levando para as salas de aula a problemática da gestação juvenil. Nesse sentindo, para Kant, filósofo prussiano, o ser humano é resultado da educação que teve. Entretanto, dados do Fundo de População das Nações Unidas, afirmam que cerca de 27% da população sexualmente ativa iniciou sua vida sexual antes dos 15 anos, sem nenhum tipo de instrução básica. À vista disso, percebe-se que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de expor o problema, pois não aborda conteúdos que explicitem os riscos da gestação prematura e nem apresentam métodos que evitam a mesma.

Destarte, é nítido que a gravidez na adolescência em evidência no Brasil é um grave problema de contornos específicos. Logo, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com mídias de grande acesso, crie campanhas educativas físicas e virtuais, — como palestras, comerciais e eventos públicos, — que com auxílio de profissionais da saúde exponha os perigos de uma gestação nas adolescentes, ressaltando a importância do amparo instrutivo da família com os jovens, para que os eduquem sobre a importância do uso de métodos contraceptivos seguros, como preservativos. Ademais, tais ações devem ser expostas na redes sociais e televisivas para um alcance público maior. Assim, talvez, cenários como o do filme Simplesmente Acontece, diminuam.