Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 09/12/2020

Na novela “Malhação sonhos”, uma de suas personagens adolescentes tinha o sonho de estudar e de ser cantora, porém ao descobrir que estava grávida tudo precisou mudar. Devido aos desafios da gestação e depois os de ter um filho, além de ser abandonada pelo pai biológico. Com isso, o alcance aos seus sonhos ficou muito mais difícil. Analogamente, no Brasil, a gravidez precoce é uma mazela da sociedade, visto que afeta o emocional, a saúde, a educação e os aspectos socioeconômicos.

Primeiramente, é importante destacar que, para a sociedade, é tabu falar sobre sexualidade, por conseguinte, os jovens crescem sem muitas informações sobre seus próprios corpos, mudanças e cuidados necessários, à vista disso, ficam propensos à gravidez e às doenças sexualmente transmissíveis. Como mostra o documentário “Meninas”, o qual fala sobre a vida de várias adolescentes grávidas por volta dos seus 13 anos, as quais, sem informações sobre os métodos contraceptivos e a sua importância, mudaram totalmente o destino das suas vidas, a maioria abandonando completamente os estudos e correndo risco de não ter condições de sustentar o bebê.

Além disso, a hipersexualização dos jovens tornou-se um problema crônico na sociedade. Devido à grande conotação sexual existente nas mídias e na internet, aguçando a curiosidade, e a pressão exercida por amigos, os quais muitas vezes enxergam essas relações como status social, o início da vida sexual dos jovens está começando cada vez mais cedo, causando, principalmente, gravidez, a qual nessa fase da vida é de grande risco. Com isso, muitas adolescentes passam por diversas dificuldades, como isolamento por causa da vergonha, exclusão, depressão e correm, até mesmo, risco de vida, visto que segundo a Organização Mundial da Saúde, a mortalidade materna é uma das principais causas de morte entre as jovens de 15 a 24 anos na América.

Percebe-se, pois, que a gravidez na adolescência é causada principalmente pelos desafios da sexualidade, majoritariamente, criados pelos tabus existentes. Dessa forma, o governo, por intermédio do Ministério da Saúde e da Educação, deveria criar projetos, como rodas de debates nas escolas, filmes e aulas obrigatórias, não só para os alunos, como também para os familiares. A fim de tirar as dúvidas, mostrando a importância do uso de contraceptivos e preservativos, do acompanhamento médico, dos riscos e das consequências de engravidar cedo, e de, aos poucos, tentar desconstruir a vergonha e o medo existente ao falar desses assuntos, demonstrando que a educação sexual não é o incentivo ao sexo, mas orientação e prevenção a diversos problemas que podem mudar por completo a vida. Com isso, seria possível diminuir o índice da gestação precoce, evitando que mais pessoas tenham que pausar os seus sonhos e perder oportunidades, como aconteceu com a menina da novela.