Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 16/12/2020
A série televisiva “Gilmore Girls” aborda a vida cotidiana de uma mãe que teve sua filha na adolescência, bem como os dilemas desse acontecimento em sua vida. Em um cenário normal, fora de uma dramaturgia televisiva e sem a romantização do tema, os desafios e os impactos de uma gravidez, no início de uma juventude, podem ser dantescos e gerar consequências perpetuadas pelo resto da vida de uma jovem. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema alicerçado em concepções retrógradas acerca do sexo e na falta de perspectivas futuras de jovens mais vulneráveis.
Em primeira análise, a falta de uma abordagem democrática sobre a prática de uma relação sexual, bem como as suas consequências, é pouco quista no Brasil, visto que a sexualidade é, ainda, um tabu no tecido social. Em destaque ao pensamento de Foucault, ao qual acreditava que certos assuntos são silenciados pela sociedade, por serem muito polêmicos, é possível sublinhar o sexo. Esse silenciamento sobre a temática em questão é moldado a partir do pouco diálogo no âmbito familiar e o ideal de lascividade exagerada construído. Deste modo, a censura em relação a uma temática polêmica pode introduzir na sociedade jovens inseguros em relação ao ato, juntamente com a ignorância sobre o uso de métodos contraceptivos para se evitar uma gravidez no início de uma juventude.
Além disso, a desigualdade social é refletida na falta de perspectiva de milhares de jovens em situação vulnerável, sem um panorama de um futuro profissional, por exemplo. Essa realidade pode contribuir para a gravidez de muitos jovens, visto que a falta de oportunidade ou de uma educação de qualidade pode colocar em protagonismo outros objetivos, como a construção de uma família ou a concepção de um filho. Em alusão aos Fatos Sociais de Durkheim, ao qual afirmava que a ação de um indivíduo é determinada pelo meio em que ele está inserido, o jovem que não possui um vislumbre acadêmico ou profissional agarra-se no ideal de família e perpetua, na maioria das vezes, o mesmo caminho de seus antepassados, como uma herança hereditária.
Torna-se claro, portanto, a relevância de uma medida corretiva para a problemática em questão. Para que isso ocorra, é necessário a intervenção do Estado, a partir de programas e palestras, em escolas e nos meios de comunicação com muita incidência de jovens, como as redes sociais, abordando uma educação sexual inclusiva, bem como introduzindo a importância e a eficácia de métodos contraceptivos de uma maneira amigável. Isso, consequentemente contribuiria para o fim de concepções retrógradas acerca de relações sexuais e diminuiria a incidência dos casos de gravidez na adolescência.