Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 18/12/2020
Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da Física, é possível perceber a mesma condição no que concerne à gravidez na adolescência no Brasil, que segue sem uma intervenção que a resolva. Nessa perspectiva, esse desafio deve ser superado de imediato para que uma sociedade consciente, informada e integrada seja alcançada.
Em primeiro plano, é fulcral pontuar que as relações sexuais precoces evidencia a falta de informações acerca das consequências que tais ações podem acarretar na vida dos jovens. De acordo com o último relatório da Organização Mundial da Saúde, anualmente cerca de 18% dos brasileiros nascidos são filhos de mães adolescentes. Em números absolutos isso representa 400 mil casos por ano, o que acende um alerta vermelho para as populações em vulnerabilidade social, uma vez que a gravidez prematura não apenas cria obstáculos para seu desenvolvimento psicossocial, como se associa a resultados deficientes na saúde e a um maior risco de morte materna. Diante do exposto, ações para criar leis e normas, até trabalhos de educação no nível individual, familiar e comunitário é fundamental para resolução desse quadro deletério.
Ademais, vale ressaltar o silenciamento acerca de métodos de prevenção de gravidez na adolescência no ambiente familiar. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o da gravidez na adolescência seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, visto que conversar com adultos sobre sexo é embaraçoso para os adolescentes e complicado para os pais, que podem preferir que professores e médicos forneçam os detalhes necessários. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas públicas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, com o intuito de aumentar o nível de informação dos jovens, é preciso que o Poder Público invista na implementação de programas de prevenção e redução da gravidez não intencional na adolescência , por meio da efetivação de matérias acerca da temática na grade curricular das escolas, de modo a criar e manter um entorno favorável para a igualdade de gênero, a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos das adolescentes. Tais programas devem refletir, como objetivo, na diminuição dos índices de gravidez no Brasil. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora das condições sociais desse grupo.