Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 20/12/2020
Segundo Simone Beauvoir “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. No entanto, esse pensamento contribui para o aumento do índice de gravidez na adolescência no Brasil, já que a cobrança social excessiva e a romantização da maternidade acarreta a exclusão em ambientes de trabalho e frustração feminina, o que gera sérios transtornos sociais. Devido a isso, o acesso à informação e métodos contraceptivos, bem como a educação como forma de desconstruir a naturalização patriarcal acerca da responsabilidade materna, tornam-se consideráveis alternativas para prevenção à gravidez na adolescência.
Logo, sabe-se que, o acesso à informação e métodos contraceptivos são viáveis para prevenir a gravidez na adolescência. De acordo com uma pesquisa, realizada pelo Ministério de Saúde, em 2015, 18% da população feminina, de 13 a 19 anos, estavam grávidas ou tiveram um filho naquele ano. Todavia, é notório que fatores como baixa renda, área rural e periferia influenciam no risco à gravidez na adolescência, visto que essas crianças não possuem instruções corretas e formas de prevenção adequadas para se iniciar a vida sexual de modo seguro.
Ademais, é válido frisar que, a educação não só é uma forma de desconstrução à naturalização patriarcal, como também serve de caminho para prevenir a gravidez na adolescência. Embora no artigo 5º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a negligência à criança seja discriminada, na realidade o que se vê é o contrário, haja vista que a responsabilidade na criação dos filhos recai sobre a mãe, enquanto que a ausência do pai é dada como algo banal. Diante disso, deve-se encarar a corresponsabilidade paternal seriamente, tanto em relação à vida sexual, quanto na criação de um indivíduo.
Destarte, urge que a gravidez na adolescência seja superada com as alternativas de prevenção mencionadas. Para isso, é necessário que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Educação, promova palestras nas escolas, uma vez ao mês, por meio de especialistas na área, como ginecologistas, com intuito de informar os riscos de IST’S e prevenções, por exemplo, métodos contraceptivos. Além disso, é imprescindível também que, o Ministério da Educação através das mídias incentive os parceiros sexuais a se corresponsabilizarem pelo ato, a fim de erradicar a visão patriarcal de negligência infantil, e assim refletirem de forma madura acerca da concepção da gravidez.