Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/12/2020

Na novela “Malhação: viva a diferença”, transmitida pela emissora  Rede Globo, é  relatada a história  de “Keyla”, uma adolescente  que enfrenta  os desafios  de uma gestação precoce. Fora da ficção, essa permanece sendo  a realidade  de inúmeras  jovens brasileiras.  Nesse sentido, pode-se afirmar que  isso ocorre devido à ausência de orientação sexual voltada para prevenção gestacional, o que coloca  em risco,  não só o futuro dessas garotas, mas suas vidas.

Mormente, é  fulcral  afirmar que os jovens não  encontram orientação familiar e escolar, fazendo -os iniciarem a vida sexual sem as informações necessárias. Isso, porque, os pais acabam “jogando” essa responsabilidade aos professores,  e esses, como não estão orientados e preparados, também não cumprem essa função.  Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman:" tudo o que fazemos ou deixamos de fazer impacta  a vida de todos, e tudo o que as pessoas fazem ou se privam de fazer afetam nossas vidas". Analogamente, a falta da educação  sexual nas escolas induz os adolescentes  a basearem-se em conteúdos pornográficos, o que abre o caminho para a perpetuação do ato sexual desprotegido, e resulta  na disseminação de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e em gestações precoces.

Outrossim, é fundamental  falar que muitas jovens recorre ao aborto para “solucionar” a questão, o que proporciona os elevados índices de mortalidade materna.  Muitas delas rejeitam a gravidez- as vezes por falta  de apoio  da família- e como as leis que regem o país permitem o aborto apenas em casos específicos - como, por exemplo, gravidez oriunda de estupro-, elas optam por submeterem-se a procedimentos clandestinos. De acordo com o site " COFEM", o Ministério da Saúde afirmou que o aborto ilegal causou a morte de 3589 mulheres em 2019. Dessa forma, é preciso criar medidas que modifiquem esse cenário, de maneira que priorize não apenas o futuro dessas meninas, mas, também ,as suas vidas.

Depreende-se, portanto, a necessidade de soluções para sanar a problemática. Em princípio, é  indispensável que o Ministério  da Educação crie uma disciplina de saúde sexual, por meio de parcerias com as escolas e com os profissionais de saúde, capacitando os professores para a abordagem do assunto em sala, esclarecendo as prevenções para as doenças sexualmente transmissíveis e prevenção do período gestacional da adolescência. Ademais, é fundamental que o governo federal invista em punições mais severas para as clínicas de abortos clandestinos, por intermédio de um projeto de lei- votado na Câmara  dos Deputados-, com o intuito de acabar com esse ato cruel e reduzir o quantitativo de mortalidade entre as jovens.