Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 02/01/2021

O conceito de entropia, da física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne à gravidez na adolescência no Brasil, percebe-se a configuração de um problema entrópico, visto o caos presente na questão nos últimos anos. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas a base educacional e a má influência midiática.

Em primeira análise, uma educação lacunar apresenta-se como um dos desafios na resolução da problemática. O filósofo Kant afirmava que o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à gravidez na adolescência, é visível a forte influência dessa causa, visto que, nos ambientes escolares brasileiros, ainda não é discutida, desde a tenra idade, a educação sexual, o que faz com que os jovens não tenham, dentro do ambiente educacional, informações suficientes para entenderem os reais desafios enfrentados por conta de uma gravidez precoce, como ter que abdicar dos estudos, em muitos casos. Logo, estratégias são necessárias para a mudança dessa realidade.

Em segunda análise, a má influência midiática também pode ser apontada como um fator dificultante na questão da gravidez na adolescência. Segundo o sociólogo Pierre Bordieu, o que foi criado para ser mecanismo de democracia, não pode ser transformado em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, percebe-se que a mídia, ao invés de apresentar debates que elevem o nível de entendimento da população acerca da gravidade do assunto, muitas vezes trata-o como normal, ao colocar em suas obras de entretenimento, que são assistidas por pessoas de todas as faixas etárias, adolescentes em estado de gravidez como se fosse algo normal, não explicitando as dificuldades muitas vezes sofridas por gestantes que ainda estão no início de sua vida.

Portanto, torna-se imperativo que medidas sejam tomadas para agir sobre essa problemática. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação deve promover nas escolas aulas e palestras acerca da educação sexual, com a presença de psicólogos, sexólogos e adolescentes que engravidaram, com o objetivo de conscientizar os jovens acerca da realidade vivida por gestantes mais novas. Tais ensinamentos devem ser realizados periodicamente, podendo contar com a presença dos pais que, em suas casas, podem dar continuidade ao processo do ensino. Em segundo lugar, as emissoras de TV deve abrir espaço para que ONGs especializadas no assunto possa discutir, dentro da programação, com uma linguagem acessiva ao público juvenil, a importância de evitar uma gravidez na juventude. Dessa forma, pode-se imaginar um cenário menos entrópico na questão.