Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 02/01/2021

O sociólogo Karl Marx alegava que na história da humanidade haveria sempre uma classe social inferiorizada e uma superiorizada. Nesse sentido, nota-se que as camadas mais carentes da população são as mais afetadas pela gravidez precoce no Brasil, já que é a mais precarizada em ensino e amparo Estatal. Logo, evidencia-se a ausência da educação sexual e consequentemente a evasão escolar como problemáticas dessa situação.

Em primeiro lugar vale salientar, que o enorme tabu em volta do tema da educação sexual configura-se um forte obstáculo para seu debate na sociedade. Segundo afirmou, o ex-presidente brasileiro Fernando Cardoso, “as pessoas não têm coragem de quebrar o tabu e dizer: vamos discutir a questão”, desse modo os jovens propendem a não se educarem corretamente acerca dos riscos da gravidez na adolescência, persistindo por tanto a ignorância acerca do assunto. Destarte, os mais prejudicados tendem a ser os indivíduos mais humildes que necessitam do amparo educacional do Estado e muitas vezes não o tem, o que não apenas aumenta os elevados índices de gestação nessas sociedades, como analogamente evidenciam a situação de fragilidade dessa população, como já afirmado pela diretora da OPAS(Organização Pan-Americana da Saúde), Carissa Etienne.

Em segundo lugar, diversas são as consequências negativas promovidas a esses jovens pais, dentre as quais está presente o abandono a vida escolar. Conforme, dados disponíveis na pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências (FLACSO), 18,1% das meninas e 1,3% dos meninos indicaram haver saído da escola devido à gravidez. Em resumo, esses adolescentes tendem a não se tornarem adultos formados e bem empregados, por sua vez não garantindo uma boa qualidade de vida as crianças geradas nesse meio que propenderão a desenvolver-sem em um lar pouco estruturado psicológica e economicamente.

Por conseguinte, urge que medidas venham ser tomadas para combater a gravidez imberbe. A priori, o Ministério da Saúde (MS) junto ao MEC, por meio de campanhas educacionais em escolas e postos de saúde, devem promover atendimentos psicopedagógicos para pais e adolescentes, com profissionais especializados no tema em questão, que ensinem e expliquem a forma correta de prevenção e orientação nos cuidados que devem ser tomados mediante a prática sexual, tendo como objetivo levar a igualdade da educação a todos e dessa forma diminuir cada vez mais a gestação adolescente, de modo a promover o melhor futuro a essa sociedade pubescente e diminuir a disparidade entre as classes defendida por Marx.