Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/01/2021
Dâmocles é conhecido na mitologia grega por conseguir o lugar de rei por uma noite, beneficiando-se dos prazeres luxuosos como monarca. No entanto, durante o banquete, se assustou ao ver uma espada pendurada por um único fio sobre sua cabeça. No contexto atual, esse mito pode se relacionar à questão da gravidez na adolescência, já que muitos jovens não se preservam durante o sexo e não percebem a “espada” sob suas cabeças. Isso é devido a problemas como: desinformação sexual e evasão escolar.
A priori, é notório que a falta de informação sobre a importância da preservação durante o sexo é um agente do problema. São Tomás de Aquino diz que todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem deveres e direitos iguais. No entanto, o Brasil se destoa do discurso do filósofo, uma vez que as desigualdades encontradas entre as classes sociais do país são significativas, o que afeta, principalmente o nível informacional da população mais pobre. Assim, muitas meninas jovens, sobretudo as quais participam desse grupo, se tornam reféns da falta de acesso à saúde sexual, como rotina médica, fontes informativas e preservativos. Logo, o risco de gravidez precoce, e também as IST’s, se torna constante.
Outrossim, o imediatismo adolescente também se comporta como agente do problema. O termo “agorista” é utilizado por Zygmunt Bauman para retratar a cerca da sociedade contemporânea, que vive em busca de prazeres imediatos sem preocupação com as possíveis consequências. Dessa maneira, muitos jovens brasileiros podem ser definidos pelo conceito do sociólogo, uma vez que priorizam momentos de prazer, como o sexo, agindo de maneira irresponsável. Assim, se tratando de uma gravidez precoce, parte das meninas ainda sofre pela criação da criança, já que muitos dos jovens se recusam a assumir a paternidade, logo, gerando outro impasse, o abandono paternal.
Diante ao exposto, é necessário que ações sejam efetivadas para a resolução do problema. Para isso, o Ministério da Saúde, aliado ao Ministério da Educação, devem agir de maneira que sejam distribuídas informações para a população jovem, por meio da educação sexual em palestras e aulas nas escolas públicas e privadas, atingindo os jovens e conscientizando-os não apenas sobre gravidez precoce, mas também dos riscos das IST’s. Além de que, o Governo Federal tem como papel direcionar mais investimentos para o SUS (Sistema Único de Saúde), com intuito de ampliar e qualificar a rede de saúde para atender principalmente a parcela social mais pobre, assegurando o acesso a saúde previsto pela Constituição.