Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 07/01/2021
A evolução psicossocial de um país é acompanhada de melhorias na escolaridade, fazendo com que, ao longo do tempo, a população se torne mais engajada a respeito da vida como um todo. A exemplo disso, a taxa de natalidade em países com uma educação estruturada, como os europeus, é muito inferior ao mesmo índice analisado em regiões subdesenvolvidas, pois estes lugares não disseminam os riscos e as dificuldades de se criar um filho atualmente.Nesse sentido,na conjuntura brasileira atual,verifica-se um aumento expressivo na problemática da gravidez em garotas adolescentes,seja pelo falho sistema educacional,seja pela lenta mudança de mentalidade social.
De início,o precário sistema educativo configura-se como uma das causas da problemática.Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim,as instituições educacionais são organismos de socialização por excelência,sendo responsáveis por introjetar as normas sociais,legais e de comportamento necessárias para o indivíduo.No entanto,a gravidez precoce,que segundo o site G1 apresenta em torno de 400 mil casos no Brasil,confronta o ideal do sociólogo,uma vez que verifica-se um desconhecimento por considerável parte da sociedade não detentora de uma educação de qualidade sobre os verdadeiros riscos dessa gestação,como a evasão escolar e o nascimento prematuro.Dessa forma,é fundamental a participação do Governo Federal na construção de uma base educacional que discuta o tema. Ademais,a lenta mudança de mentalidade social corrobora para a persistência do problema.Consoante o sociólogo francês Pierre Bourdieu,em sua teoria ‘’Habitus’’,toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo das próximas gerações.Sob essa ótica,a crença cristã relacionada à pureza sexual adotada no período colonial brasileiro foi absorvida e transmitida até os dias atuais,de modo que tornou-se naturalizada.Assim,percebe-se a naturalização do tabu é representada pelos mais 5600 casos de gravidez na adolescência em 2019,segundo o IBGE.
Infere-se,portanto,que é preciso medidas para amenizar o problema citado.Por isso,é necessário que o Estado,como responsável constitucional pela manutenção do sistema educacional nacional,atue na fortificação da base educativa do país,por meio da adoção de matérias relacionadas à educação sexual nos currículos escolares,com o objetivo de fornecer informações e instruções para evitar a gestação precoce e alertar sobre consequências que podem ocorrer.Além disso,é fundamental que o Estado atue na desconstrução de tabus relacionados à temática,através de palestras com profissionais qualificados na área,de modo seja fundamentada novas concepções acerca da gravidez na adolescência de acordo com a situação atual do país.Dessa maneira,o índice de natalidade pode ser controlado.