Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 07/01/2021

Segundo o escritor português José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a lucidez”, há verdades que precisam ser repetidas para que não venham a cair no esquecimento. Traçando um paralelo entre o pensamento do autor e a realidade brasileira, tem-se que uma dessas verdades que precisam ser reiteradas no país diz respeito aos perigos da gravidez na adolescência, causada, muitas vezes, por falta de educação sexual entre os jovens. Perante esse debate, é indispensável combater essa problemática, tanto por questões políticas quanto sociais.

Em primeiro lugar, é válido salientar os aspectos negativos da gravidez precoce na administração do país. Nessa linha de raciocínio, é pertinente citar o filósofo francês Michel Foucault, o qual atesta que o papel do governo é maximizar o bem-estar de seu povo. Contudo, é desanimador notar a oposta realidade brasileira: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 20% das meninas se tornam mães antes dos dezoito anos. Isso só demonstra a ineficácia do governo em relação à prevenção da gravidez na adolescência, visto que, além de ser um obstáculo no eixo político, é também um problema de saúde pública. Não dá para negar, portanto, que não dar visibilidade ao problema é um caminho para legitimá-lo.

Em segundo lugar, é fundamental entender os impactos desfavoráveis dessa realidade em uma nação. Estudos do Ministério da Saúde apontam que os países com maiores taxas de gestações antecipadas são os mais propensos a não prosperarem social e economicamente. Pesquisas como essa mostram como a dinâmica do país fica prejudicada a partir do momento em que o índice de fertilidade entre adolescentes é alarmante. Portanto, não é possível a nação progredir se ela não vence o obstáculo que a impede de um desenvolvimento digno: a gravidez na adolescência. Ratifica-se, assim, o que diz o professor de Harvard Steven Pinker: “o progresso não resulta da magia, mas da resolução de problemas”.

Por fim, faz-se necessária a tomada de atitude frente a essa questão. Nesse sentido, cabe ao Ministério Público – incumbido de defender a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais – promover campanhas públicas periódicas voltadas à população adolescente desde cedo, as quais elucidem os perigos da gestação precoce e ensinem suas principais medidas de prevenção: como o uso de preservativo, de pílulas anticoncepcionais e de dispositivos intrauterinos (DIU). Isso pode ser feito por meio da mídia digital e tradicional, como blogs, redes sociais e pela própria programação do rádio. Iniciativas assim resultarão em uma maior consciência acerca do tema e de suas repercussões na sociedade brasileira.