Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma ilha imaginária na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que foi idealizado por More, uma vez que a gravidez na adolescência destaca-se como um importante desafio a ser enfrentado pela sociedade. Esse cenário nocivo tem sua origem na falta de informação e possui impactos negativos na saúde. Logo, convém a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigá-la.
Vale ressaltar, a princípio, a carência de políticas educativas que orientem a respeito da gravidez na adolescência. Sob essa perspectiva, o educador Paulo Freire destaca a educação como elemento fundamental para mudanças sociais e, por isso, defendia um ensino capaz de estimular reflexões críticas que levem a uma maior compreensão da sociedade. No entanto, situações atuais vão de encontro a esse ideal na medida em que, no cotidiano, assuntos sobre sexo são frequentemente tratados como entretenimento, sem carregar, porém, um viés educativo de maturidade e responsabilidade que proporcione atitudes mais seguras na vida sexual do jovem. Desse modo, nota-se que muitas meninas crescem sem receber uma educação sexual escolar e familiar que aponte os malefícios da gravidez precoce.
Além disso, há preocupantes problemáticas advindas dessa conjuntura. Em vista disso, por não ter o corpo biologicamente preparado, a adolescente grávida pode ter alguns problemas, como parto prematuro e eclampsia. Somado a isso, a menina pode abandonar os estudos, ter sua vida profissional prejudicada e desenvolver transtornos psicológicos, como depressão. Nesse contexto, segundo o escritor Oscar Wilde, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação. Dessa forma, nota-se a importância da sociedade usar sua indignação para provocar mudanças, uma vez que a gravidez precoce rompe uma fase importante da juventude, traz consequências para a saúde física e impede o pleno desenvolvimento social e profissional.
Portanto, providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas que, por meio de oficinas pedagógicas, discussões engajadas e palestras, possua como finalidade trazer mais lucidez sobre a importância da educação sexual e os malefícios da gravidez na adolescência. Esses eventos devem contemplar desde a educação básica até o nível superior, contar com a participação de profissionais da saúde e é essencial que as famílias dos estudantes sejam convidadas a participar. Assim, essas medidas possibilitarão a concretização de transformações desejáveis na realidade brasileira.