Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 29/01/2021
No documentário independente “Meninas, gravidez na adolescência’’, retrata a vida de jovens moradoras da favela da rocinha que engravidaram cedo. No obra, reflexões a cerca da negligência estatal e a evasão escolar, podem ser relacionadas a realidade brasileira, quando se trata da gravidez na adolescência. Nesse sentido, é preciso entender suas causas e prováveis soluções.
A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve-se a questões políticas-estruturais. Durante a formação do Estado brasileiro, discussões relativos a educação sexual, principalmente durante a juventude, nunca foi uma pauta defendida pelos governantes. Isso acontece devido a herança machista e patriarcal herdada historicamente. Visto isso, dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS), revela que anualmente 400 mil bebês nascem de meninas entre 10-19 anos no país, e na maioria dos casos aconteceu pela falta de informação. Relatório que demostra a urgência na orientação desses jovens em âmbito escolar e a falta de interresse estatal ao assunto.
Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborado por fatores sociais. Segundo Hannah Arendt, em sua teoria sobre Espaço Público, as instituições públicas- inclusive as escolas e faculdades- têm que ser completamente inclusivas a todos do espectro social para exercer sua total funcionalidade. Lamentavelmente, o abandono escolar devido a gestação precoce, evidencia alguns dos desafios enfrentados pelas adolescentes no ambiente escolar, podendo desencadear a falta de perspectiva no futuro. Em consonância com o filósofo Émile Durkheim, em sua teoria fato social, afirma que a escola é o segundo socializador do ser humano, ou seja, valores e costumes são moldados nesse período. Em vista disso, a falta de suporte moças provoca não só uma deficiência na educação primária e posteriormente no mercado de trabalho, mas também um déficit na formação social.
Torna-se evidente, portanto, que os desafios enfrentados pela gravidez na adolescência no Brasil apresentam entraves que precisam ser revertidos. Logo, é necessário que o MS, em parceria com a mídia, precisa desenvolver palestras e debates, principalmente em ambientes escolares, com especialistas em educação sexual, de modo a instruir adolescentes sobre os cuidados e os malefícios de uma gravidez indesejada, afim de quebrar tabus historicamente criados e promover um maior esclarecimentos aos jovens. Ademais, o Ministério da Educação, em adição com ONG’s, através do redirecionamento de verbas, deve criar horários alternativos de aulas e a inserção de aulas a distância para mães precoces e creches para os bebês, de modo a incluir e incentivo a continuidade aos estudos, proporcionado assim uma maior perspectiva para o futuro. Com essa medidas, talvez, os relatos das jovens na trama “Meninas, gravidez na adolescência”, estejam longe da realidade brasileira.