Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 06/02/2021

A telenovela brasileira “Mallhação Sonhos”, que foi ao ar em 2014, se popularizou por tratar de assuntos contemporâneos ao mundo adolescente, muitas vezes considerados “tabus” para a sociedade. Entre outros impasses, a novela retrata o dilema de Mari, que sonhava em ser cantora, no entanto, ela teve seus planos interrompidos por uma gravidez indesejada na adolescência. Fora das telas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, anualmente, ocorrem aproximadamente 400 mil casos de gravidez na adolescencia no Brasil, expressando a quantidade de adolescentes que, assim como Mari, tiveram seus futuros prejudicados pela falta de educação sexual.

Primeiramente, é necessário compreender como a banalização da sexualidade na adolescência contribui para agravar a situação. Segundo o sociólogo e filósofo francês Émile Durkheim, “o ser é aquilo que a sociedade faz dele”, dessa forma, tratar a sexualidade com censura resultará, inconsequentemente, em uma geração de jovens vulneráveis em relação à gravidez precoce e suas implicações, além da falta de conhecimento sobre a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. A restrição da discussão sobre o tema em ambientes de formação dos jovens, como a família e a escola, fere o direito à saúde sexual previsto no Estatuto da criança e do adolescente, afora colaborar para o crescimento dos casos de gravidez na adolescência no país.

Por outro lado, também é possível perceber que a desigualdade social e a falta de medidas para reverter essa situação possuem um grande efeito sobre o crescimento dos casos de gravidez precoce no Brasil. A teoria contratualista de Rousseau evidencia esse cenário, mostrando que, ao não mediar as relações entre indivíduos para diminuir as desigualdade sociais, o Estado intensifica ainda mais a desigualdade entre classes. Essa relação pode ser confirmada visto que, segundo o IBGE, a maior parte das grávidas adolescentes pertencem à classe mais baixa e com grau de escolaridade inferior.

Desse modo, evidentemente, a situação da gravidez na adolescência no Brasil é muito grave e medidas devem ser tomadas para combate-la. Segundo o filósofo Epicteto, “só a educação liberta”, mostrando a importância do papel da escola na formação iedológica dos indivíduos, nesse caso, não é diferente. Para que a gravidez precoce seja combatida, é imprescindivel o envolvimento da instituição escolar, que deve inserir na grade curricular aulas de educação sexual, trazendo profissionais qualificados, como médicos e psicólogos, a fim de abordar o assunto de forma educativa e garantir o direito à saúde sexual. Assim, a questão será solucionada de forma correta e menos meninas terão seus futuros prejudicados por uma gravidez na adolescência.