Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/02/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras como o surgimento precoce da gravidez entre jovens brasileiras, sobretudo, em famílias de baixa renda. Esse cenário antagônico é fruto da falta de educação sexual, o que dificulta o conhecimento dos metódos contraceptivos disponíveis, quanto da ausência mídiatica em fornecer informações preventivas aos jovens acerca da prevenção e cuidados necessários ao realizarem os atos sexuais.
Em primeira análise, é evidente que a negligência governamental em oferecer suporte ideológico e psicológico às jovens de classes mais baixas da sociedade, fomenta o surgimento de casos indesejáveis de gravidez no período da adolescência. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através deste trecho do poeta modernista brasileiro Carlos Drummond de Andrade, nota-se que o descaso do governo brasileiro funciona como um obstáculo no enfrentamento da prevenção e dos impactos advindos da gravidez na adolescência, o que faz com que o Estado não exerça plenamente sua função como instituição social. Assim, fica claro que a vulnerabilidade das jovens de baixa renda aumenta, o que agrava os impactos da gravidez, por exemplo, a evasão escolar.
Além disso, o descaso governamental reflete também na ausência mídiatica, a qual deveria cumprir sua função de divulgar informações agregadoras de pensamento coletivo. Nesse sentido, ganha voz o pensamento do sociológo francês Pierre Bourdieu, o qual defendeu que a mídia foi criada para ser um instrumento da democracia, exercendo influência em aspectos políticos/sociais. No entanto, as empresas mídiaticas atuais não apresentam propagandas educativas de temas relevantes como a gravidez indesejada na adolescência, contrariando o pensamento do sociológo e deixando de fornecer informações de prevenção aos jovens. Nesse sentido, a desinformação sobre o mundo sexual é um problema a ser evitado e requer medidas urgentes por parte das empresas mídiaticas brasileiras.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visem reduzir os impactos da gravidez precoce na adolêscencia. Para que isso ocorra, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), em conjunto com as empresas de mídia, forneça aos jovens campanhas educativas que abordem sobre a educação sexual, como por exemplo, o uso adequado dos métodos contraceptivos. Simultaneamente, tais ações devem ser realizadas por meio das escolas públicas/privadas, que irão fornecer os espaços para a realização das palestras, com o intuito de informar os adolescentes que pretendem ter relações sexuais, de forma segura. Com essas ações, espera-se remover a pedra da gravidez precoce no Brasil.