Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 16/02/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade idealizada, formada por um corpo social isento de conflitos e problemas. Fora da ficção, vê-se que, na realidade contemporânea brasileira ocorre o oposto do que o autor prega, uma vez que existem barreiras como o surgimento precoce da gravidez entre jovens brasileiras, sobretudo, em famílias de baixa renda. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ausência de políticas públicas eficientes, o que dificulta o conhecimento de métodos contraceptivos, quanto da falta de educação sexual por parte das famílias brasileiras.

Em primeira análise, é evidente que a negligência governamental em promover políticas públicas de conscientização acerca de procedimentos preventivos, justifica o atual grau de desinformação dos jovens brasileiros. De acordo com o princípio newtoniano, um corpo que está parado tende a continuar nesse estado até que haja uma força externa atuando sobre ele. De maneira analóga, nota-se que a ausência de agentes externos como o Estado atuando sobre a divulgação de métodos contraceptivos e sua importância, favorece a manutenção do surgimento da gravidez indesejada na adolescência. Assim, fica claro que a desinformação dos jovens sobre formas de se obter e utilizar os contraceptivos, favorece a manutenção do surgimento da gravidez indesejada na juventude. Assim, fica claro que a desinformação dos jovens é problema que necessita de maior atuação governamental nesse aspecto.

Além disso, o descaso governamental somado à ausência familiar, no que tange ao suporte ideológico e psicológico, aumenta a situação de vulnerabilidade das jovens, o que agrava os impactos advindos da gravidez indesejada. Por exemplo, segundo dados do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), 20% das mães adolescentes ficam sem estudar e sem ter trabalho remunerado após engravidar. Isso explica o fato da ausência de uma base familiar, que aborde acerca da educação sexual e da sexualidade com seus filhos, facilitar o surgimento de uma instabilidade emocional por parte das adolescentes. Consequentemente, as jovens se sentem inseguras psicologicamente para retornarem ao convívio social, o que agrava os impactos como a evasão escolar e falta de perspectivas futuras.

Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visa a propor reduzir as consequências da gravidez precoce. Para que isso ocorra, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), em conjunto com os governos municipais, forneça aos jovens campanhas educativas que abordem sobre a segurança ao realizarem atos sexuais, como por exemplo, sobre o uso adequado dos contraceptivos. Simultaneamente, tais ações devem ser realizadas por meio das escolas, que irão fornecer os espaços para a realização das palestras, com o intuito de informar os adolescentes que pretendem ter relações sexuais seguras. Com essas ações, espera-se diminuir o surgimento de casos indesejados de gravidez.