Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 03/03/2021
No seriado televisivo “Glee”, é contada a história do club do coral de um grupo de alunos do ensino médio. Na trama, uma das personagens centrais, Quinn, engravida do seu namorado e passa por uma série de desafios. Fora da ficção, no Brasil, a narrativa da personagem supracitada é a realidade de muitas jovens brasileiras, evidenciando a problemática da gravidez precoce entre a população canarinha. Nesse sentido, é necessário atentar para as desigualdades socioeconômicas e para a falta de educação sexual nas escolas e no berço familiar, principais causas do impasse.
Em primeira análise, é importante destacar as desigualdades socioeconômicas brasileiras, visto que a parcela da população mais vulnerável à gravidez precoce é a de indivíduos marginalizados. Nesse segmento, é evidente que cidadãos em situação de vulnerabilidade têm menos acesso a métodos contraceptivos, tendo em vista a baixa acessibilidade em postos de saúde e a falta de orientação escolar, o que acarreta em um número maior de adolescentes grávidas indesejadamente. Por conseguinte, as jovens brasileiras acabam correndo o risco de fatalidade na hora do parto e a criança fica à mercê da pobreza extrema.
Ademais, é necessário analisar a falta de educação sexual no ambiente escolar e familiar, visto que, por medo de influenciar os jovens a se tornarem sexualmente ativos, essas bases de acolhimento não orientam, muitas vezes, acerca da contracepção e até mesmo das ISTs. Nesse sentido, é possível fazer referência ao conceito de “Instituição Zumbi”, uma organização que existe e se mantêm, todavia não cumpre com a sua função, do sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, tendo em vista que esse termo pode caracterizar as famílias e as escolas no Brasil, pois essas, na maioria das vezes, estão presentes, mas não ensinam os adolescentes a evitarem um problema que afetará suas vidas para sempre. Logo, os jovens que lidam com a gravidez precoce acabam sofrendo com uma dificuldade no desenvolvimento psicólogico, tendo várias sequelas durante a vida.
Portanto, é evidente que medidas precisam ser tomadas para mitigar o problema. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde, em conjunto a médicos e sexólogos, crie um projeto de orientação sexual nas periferias, esse deve ter uma série de palestras e debates acerca da importância dos métodos contraceptivos, a fim de evitar a gravidez entre os jovens. Além disso, o Ministério da Educação deve inserir na Base Comum Curricular do ensino médio, uma aula semanal de educação sexual com um professor capacitado, além de propôr uma palestra com os familiares dos estudantes em todas as escolas do país sobre a importância da orientação sexual no lar, com a finalidade de preparar os adolescentes para a vida sexual, evitando a geração de um filho indesejado.