Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 25/03/2021

No seriado televisivo “Glee”, é contada a história do clube do coral de um grupo de alunos do ensino médio. Na trama, uma das personagens centrais, Quinn, engravida do seu namorado e passa por uma série de desafios. Fora da ficção, no Brasil, a narrativa da personagem supracitada é a realidade de muitas jovens brasileiras , evidenciando a problemática da gravidez precoce entre a população canarinha. Nesse sentido, é necessário antentar para a busca por prazeres imediatos e para a falta de educação sexual nas escolas e no berço familiar, principais causas do impasse.

Em primeira análise, é importante destacar a busca por prazeres instantâneos como causador da gravidez na adolescência. Nesse segmento, consoante a doutrina filosófica grega do hedonismo, a qual afirma que o prazer é o bem supremo da vida humana, a maioria dos jovens brasileiros vive em uma busca constante pela felicidade, e pensando apenas no momento de satisfação, não se atenta para as possíveis consequências irremediáveis que, por exemplo, uma relação sexual sem proteção trará para as suas vidas. Por conseguinte, as adolescentes que ficam, acidentalmente, grávidas, carregam sequelas eternamente, como a evasão escolar, que afeta diretamente a formação profissional do indivíduo e a sua qualidade de vida, além de lidar com um risco de fatalidade na hora do parto.

Ademais, é necessário analisar a falta de educação sexual no ambiente escolar e familiar, visto que, por medo de influenciar os jovens a se tornarem sexualmente ativos, essas bases de acolhimento não orientam, muitas vezes, acerca da contracepção e até mesmo das Infecções Sexualmente Transmissíveis(ISTs). Nesse sentido, é possível fazer referência ao conceito do sociólogo Zygmunt Bauman ,“Institução Zumbi”, uma organização que existe e se mantém, todavia não cumpre com sua função, tendo em vista que esse termo pode caracterizar as famílias e as escolas no Brasil, pois essas, geralmente, estão presentes, mas não ensinam os adolescentes a evitarem um problema que afetará suas vidas para sempre. Logo, os jovens que lidam com a gravidez precoce acabam sofrendo com uma dificuldade no desenvolvimento psicológico, tendo várias sequelas durante a vida.

Portanto, medidas devem ser tomadas para mitigar o impasse. Para tanto, urge que o Ministério da Saúde, em conjunto a médicos e sexólogos, crie um projeto de orientação sexual online, o qual deve ter uma série de vídeos didáticos e fóruns de discussão acerca da importância do uso de métodos contraceptivos, a fim de evitar a gravidez entre os jovens. Ademais, o Ministério da Educação deve inserir, na Base Comum Curricular do ensino médio, uma aula semanal de educação sexual, além de propor uma palestra com os familiares dos estudantes sobre a importância da orientação sexual no lar, para preparar os adolescentes para a vida sexual, e, assim, atenuar a gravidez precoce no Brasil.