Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 15/04/2021

No filme britânico-germano “Love, Rosie”, a protagonista Rosie Dunne é acompanhada de perto em sua árdua adolescência como mãe solteira após esta descobrir-se grávida de um parceiro estulto. No Brasil, isso não se distancia da realidade vista no longa-metragem, afinal, segundo o G1 Bem Estar, a taxa de maternidade de jovens adolescentes é, de certa forma, exuberante se comparada com o restante do mundo sendo, em sua maioria, garotas entre 15 a 19 anos. Desse modo, fica claro que esta problemática origina-se não apenas pela falta de conhecimento dos brasileiros acerca do assunto, como também devido às condições de vulnerabilidade social de diversos jovens.

Decerto, a desinformação em relação a educação sexual é o principal fator da gravidez precoce, visto que provém de um conceito equivocado e antiquado das escolas, junto às famílias, de que instruir os adolescentes sobre prevenção sexual pode ocasionar nestes tornando-se sexualmente ativos. Este pensamento é algo enraizado na sociedade brasileira, advindo da atuação do cristianismo na colonização do Brasil, esta que impôs a exaltação da pureza sexual, gerando assim, a naturalização de um tabu quando o assunto é sexo. Isso é notório, à medida que 625.750 de garotas abaixo de 19 anos se tornaram mães no ano de 2014, apenas no Estado de São Paulo, segundo o site Acidadeon.

Outrossim, a partir da frase do romancista Victor Hugo, a qual dizia “O progresso roda constantemente sobre duas engrenagens. Faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”, analisa-se que o Brasil, que de 2011 até 2020 estava entre as dez maiores economias mundiais, falha em promover igualdade, pois, apesar de ser um país rico, é perceptível o número de pessoas marginalizadas. Por conseguinte, tal negligência resulta em jovens vulneráveis, na medida em que eles não têm acesso a uma educação de qualidade, o que impossibilita uma perspectiva em relação ao mercado de trabalho.

Dessa forma, pode-se perceber que o debate acerca gravidez na adolescência é imprescindível para a construção de uma sociedade mais igualitária. Nessa lógica, é imperativo que o Ministério da Educação destine verbas para a criação de um projeto de prevenção à gravidez nas instituições, no qual consistirá a adição da matéria sobre educação sexual na grade curricular, além de um fórum virtual para que a família junto aos alunos tenham o direito de opinar e dar ideias para tais aulas, com o intuito de envolver a comunidade no combate à problemática. Ademais, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento intensifique os programas sociais, como o Bolsa Família a fim de promover a inserção na sociedade dos brasileiros marginalizados, para que tais pessoas ampliem suas oportunidades sociais, como educação e trabalho.