Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 18/04/2021
A gravidez na adolescência, de meninas entre 10 e 19 anos, é muito presente no Brasil. Os números absolutos, em 2019, ultrapassaram 500 mil, de acordo com uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde. Esse cenário é extremamente preocupante, principalmente porque ele revela uma profunda desigualdade no país, uma vez que a gravidez precoce se dá majoritariamente nas classes baixas, fato apontado na mesma pesquisa. Desse modo, o problema da gravidez na adolescência no Brasil está associado à perpetuação da pobreza.
Com o objetivo de comprovar tal associação, é preciso demonstrar, primeiramente, suas causas. O Sistema Único de Saúde (SUS) e as escolas públicas são políticas que atendem, principalmente, as classes menos favorecidas da sociedade e, por isso, estão diretamente ligados ao alto número de casos de gravidez na adolescência. O SUS é responsável por distribuir preservativos gratuitamente e à escola cabe ensinar como seu uso é importante, o que muitas vezes não é feito. Ambas as situações foram retratadas no documentário “Meninas: Gravidez na Adolescência”, no qual uma das garotas conta que houve várias vezes em que ela foi até o posto de saúde buscar preservativos, mas estavam sempre em falta. Além dessa falha de distribuição, ela, por sua vez, desconhecia a utilidade deles como método de prevenção contra gravidez e, assim, manteve relações sexuais. Logo, a qualidade das políticas públicas influencia no número de casos de gravidez precoce.
Após analisar as causas, é possível evidenciar como a gravidez de jovens contribui para a eternização da pobreza. Quando uma menina engravida antes dos 19 anos, sua educação é afetada, uma vez que ela terá menos tempo para ir à escola por ter que cuidar de uma criança. Esse fato é corroborado pela pesquisa do Ministério da Saúde e pelo documentário, que mostra o caso de uma menina que parou de ir à escola após o nascimento de sua filha. Sendo assim, sem uma educação de qualidade, essas jovens mães não conseguem um bom emprego e não saem da pobreza, criando, dessa maneira, seus filhos no mesmo ambiente. Eles, por sua vez, também utilizarão o SUS e as escolas públicas, ambos com poucos recursos para atuarem, e podem acabar na mesma situação da mãe, criando um ciclo da pobreza.
Portanto, foi exposto o principal problema da gravidez na adolescência no Brasil, surgindo a necessidade de contornar essa situação. Para tal, o Ministério da Educação - órgão do Poder Executivo - deve introduzir a educação sexual de qualidade nas escolas públicas, a partir dos 10 anos, por meio de um projeto de lei que torne obrigatória a presença de tal matéria na grade escolar. Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde deve aumentar a disponibilidade e a distribuição de preservativos, para, assim, garantir uma educação sem distrações aos adolescentes.