Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 30/04/2021
Na série norte-americana “Grey’s Anatomy”, Izzie Stevens é uma médica bem sucedida que, acidentalmente, engravidou aos 16 anos. Após descartar a opção de realizar um aborto, a protagonista passou a procurar um casal a quem poderia entregar o bebê a adoção, já que não apresentava condições para criá-lo. Fora da ficção, é fato que, assim com Izzie, as jovens brasileiras que engravidam na adolescência também não possuem condições sociais e econômicas para criar seus filhos. Dessa forma, a vulnerabilidade econômica e a negligência governamental acerca da educação sexual corroboram para o aumento da gravidez precoce no Brasil.
Convém ressaltar, a princípio, que o baixo poder aquisitivo está entre as principais causas do problema, uma vez que intensifica a desenformação dentre esse grupo. Sob essa ótica, a crítica feita por Shonda Ramires na construção do personagem Izzie Stevens é assertiva, pois, apresenta o esteriótipo da adolescente que, privada de conhecimento por conta de sua condição econômica, tem contato precocemente com a sexualidade. Esse contexto, pode ser observado na realidade brasileira com os dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), que afirma que a gravidez precoce ocorre com maior frequência entre as meninas com baixa renda. Sendo assim, a falta de uma boa condição financeira permanece sendo um dos motivos da desinformação na sociedade brasileira.
Ademais, saliente-se, que a discussão sobre a temática “sexo” continua sendo um tabu no ambiente escolar. Nesse sentido, em consonância com o filósofo Michael Foucault, em sua obra “A Ordem do Discurso”, a escola, ao fugir do tema, provoca o distanciamento dos alunos, evitando conversas necessárias nessa fase da juventude. Desse modo, os professores brasileiros que em tese seriam o principal mediador de informação para essas jovens se omitem movidos por uma recomendação governamental. Com isso, a desinformação, um dos principais motivos para a gravidez na adolescência, aumenta não só devido a uma baixa condição socioeconômica, mas também pela omissão das escolas na educação de seus alunos.
Portanto, indiscutivelmente, ações são requeridas para amenizar os altos índices de gravidez precoce no Brasil. O Governo, em parceria com o Ministério da Saúde, deve incluir palestras na grade curricular sobre a sexualidade na adolescência, por meio da participação de médicos vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS), com a finalidade de conscientizar a população jovem do país sobre os riscos que o sexo irresponsável pode causar. Além disso, o Governo deve elaborar campanhas midiáticas, sobre o ato sexual seguro, nas redes sociais, de modo a reafirmar o que foi aprendido nas escolas com as palestras. Assim, a realidade se distanciar-se-á da produzida por Shonda Ramires.