Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/05/2021
No filme “Juno”, é retratada a vida de uma menina que passa por uma gravidez não planejada durante sua adolescência. A obra levanta um importante debate que se relaciona com a realidade de grande parte dos brasileiros. No entanto, entende-se a raiz da questão na ausência de políticas públicas do Estado que visem a conscientização de jovens além da hipersexualização de meninas para serem aceitas socialmente.
Primeiramente, é importante ressaltar como causa para a problemática, a falta de educação sexual para os adolescentes devido ao tabu no assunto e a equivocada crença de que ao abordar o tema, os jovens seriam encorajados para o começo precoce da prática sexual. Dessa forma, muitos pais não têm esse tipo de diálogo com seus filhos e a escola não possui aulas nem orientações sobre o assunto. Assim, eles buscam se informar por meio da pornografia trazendo drásticas consequências sociais e para suas vidas, como a gravidez e a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, já que a maioria não mostra a utilização de preservativos.
Além disso, de acordo com a socióloga Gail Dines, a pornografia influencia jovens mulheres a seguirem comportamentos e atitudes dessas atrizes para corresponderem as expectativas masculinas. Levando, então a hipersexualização do feminino e a precoce prática sexual. Como consequência, aumentam-se os casos de gravidez na adolescência e o fardo tende a cair maior para mulheres, visto que o Brasil apresenta mais de 80 mil casos de abandono paterno de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Infere-se, portanto, que a negligência do Estado no problema, anda em contramão com a sua solução. Por isso, é necessária uma ação do MEC (Ministério da Educação) de adicionar a grade curricular disciplinas voltadas a educação sexual, fornecendo ensinamentos que expliquem e incentivem o uso de contraceptivos para adolescentes. Isso ocorrerá por meio de aulas ministradas por especialistas e agentes da saúde capacitados para discutir o tema com a faixa de idade dos alunos. Logo, os jovens terão maior conhecimento sobre as consequências do ato sexual e serão evitados casos de gravidez precoce.