Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/05/2021
O documentário “Meninas” narra a história de quatro jovens gestantes de 13 a 15 anos, moradoras de bairros pobres da cidade do Rio de Janeiro. Ao mostrar uma realidade carioca, a produção cinematográfica aponta um problema nacional: a gravidez na adolescência. Nesse contexto, diversos são os fatores que colaboram para a persistência da problemática no país. Dessa maneira, a falta de educação sexual nas escolas aliada a sexualização de crianças na sociedade são impulsionadores para a desinformação sobre os riscos da gestação precoce.
Em primeira análise, é indubitável que o tema é pouco discutido no ambiente escolar devido ao tabu que se criou ao longo do tempo em relação a assuntos voltados para a sexualidade. Nesse sentido, no livro “A História da Sexualidade - A vontade de saber”, do filósofo Michel Foucault, retrata como as manifestações sexuais eram reprimidas pela sociedade ocidental, e no decorrer da obra ele tenta romper com esse mecanismo repressor e demonstrar a importância do debate acerca da temática. Sendo assim, na obra é possível constatar a necessidade de uma discussão em relação ao tema, uma vez que a falta de informação é um dos fatores principais para a gestação precoce.
Outro fator alarmante é a sexualização na infância que difere da sexualidade, uma vez que a primeira é a exposição antecipada de conteúdos inadequados para a idade da criança já a segunda é um processo gradual e natural do corpo. De acordo com Márcio Sanches, professor de Bioética da Universidade Federal de São Paulo, a erotização precoce tornou-se um elemento cultural da sociedade brasileira, visto que situações como “namoradinho na infância", muitas vezes são naturalizadas. Portanto, é visível que existe uma adultização, que tem se tornado uma das causas da gravidez na adolescência.
Diante do exposto, para amenizar a gravidez precoce é necessário ações. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, principal responsável pelo ensino no país, promover a inclusão de matérias voltadas para um educação sexual nas escolas. Isso ocorrerá, por meio de uma parceria com profissionais da saúde, médicos e psicólogos que irão ministrar palestras, com assuntos voltados para métodos de prevenção e como lidar com as mudanças sofridas pelo corpo na fase da puberdade, a fim de uma divulgação de temas que tangem a sexualidade e a vida sexual.