Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 16/05/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê o direito a educação e saúde como inerentes a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a gravidez na adolescencia no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social. Diante dessa perspectiva, vale salientar que esse problema permanece em virtude da falta de conversa com os pais e da ausência de saúde sexual dentro das escolas. Sendo assim, há de se ter caminhos para combater essa problemática.

É relevante abordar, primeiramente, que um dos fatores para que esse problema continue é a falta de conversa com os pais. Em semelhança com a realidade, a série ‘‘Sex Education’’ expõe a vergonha dos jovens ao falarem com seus pais sobre relações sexuais e por fim, acabam pedindo ajuda ou conversando sobre esse assunto com os colegas. Entretanto, essa prática apresenta falhas, já que muitas vezes há disseminação de mentiras sobre o sexo e a falta de alerta de métodos contraceptivos. Em suma, essa falta de intimidade dos adolescentes com os familiares, fazem com que eles recorram à informações erradas, resultando não somente em gravidez precoce, mas também em DSTs.

Ademais, outro agente que fomenta a continuidade desse problema é a carência de educação sexual dentro das escolas. De acordo com Aristóteles, todos os homens tem, por natureza, o desejo de conhecer. Seguindo essa linha de pensamento, a maioria dos jovens que tem o desejo de conhecimento, mas não tem acesso às informações, são de família humilde e que não recebem uma educação de qualidade. Como prova de que a gravidez prematura atinge mais a população vulnerável, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística realizou uma pesquisa, confirmando que as maiores taxas de gestações na adolescência estão entre jovens de 10 a 19 anos, pobres e com baixa escolaridade. Logo, é inquestionável que a ausência de conversa com os familiares e a escassez de ensino sexual contribuem para que o problema continue.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Nesse viés, cabe às escolas e ONG’s realizarem palestras educativas não somente nas escolas, mas em comunidades carentes, com a ajuda de profissionais da saúde, devem esclarecer todas as dúvidas dos jovens relacionadas ao sexo, ressaltando sempre a importância do uso de preservativos durante as relações e alertar sobre as doenças sexualmente transmissíveis, a fim de que todos os jovens tenham conhecimento sobre as relações sexuais, não precisem tirar dúvidas com os colegas e que as taxas de gravidez precoce diminuam. Somente assim, todos os cidadãos terão o direito não apenas à saude, mas também a educação e a Constituição Federal de 1988 será exercida.