Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 29/06/2021
O filme “Preciosa” retrata o drama da jovem Clareece ao ficar grávida pela segunda vez com 16 anos. No entanto, fora da ficção, muitas adolescentes brasileiras enfrentam os desafios de uma gestação precoce. Nesse sentido, é preciso analisar enquanto causas da gravidez na adolescência a ausência de debate familiar e a lacuna na educação sexual.
Em primeira análise, é notório que a falta de diálogo por parte da família contribui para os casos de gravidez na juventude. De acordo com Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Sob esse viés, nota-se que ao não debater assuntos como sexo e métodos contraceptivos com os jovens, devido tabus sociais e religiosos, os familiares não cumprem seu papel de orientar e acabam por deixarem os adolescentes desamparados. Assim, essa negligência familiar atua como forte empecilho para a redução de gestações precoces.
Ademais, é evidente que a omissão da educação sexual nas escolas favorece o problema. Segundo Immanuel Kant, “O ser humano é resultado da educação que recebe”. Nessa perspectiva, pode-se afirmar que quando a escola não dispõe de aulas de qualidade sobre saúde sexual e gravidez na adolescência, bem como as suas formas de prevenção, os adolescentes encontram-se em uma situação de desinformação e, consequentemente, de exposição à gravidez. Dessa forma, essa lacuna educacional ajuda na perpetuação da gestação precoce.
Em suma, conclui-se que a gravidez na adolescência no Brasil é um problema que demanda atenção. Portanto, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Poder Legislativo, por meio de uma lei, torne obrigatória a disciplina de educação sexual nas escolas públicas e privadas do país, com o intuíto de ensinar aos jovens de forma correta como prevenir uma gravidez e, por conseguinte, diminuir a incidência de gestações precoces. Tal disciplina deve contemplar assuntos sobre métodos contraceptivos e como usá-los corretamente, além da participação de profissonais da saúde para fazer a orientação. Desse modo, possivelmente, a triste realidade da personagem Clareece não se faça mais presente na vida das adolescentes brasileiras.