Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 24/05/2021

Em sua música “Rock and Roll Lullaby”, o cantor americano B.J Thomas, narra, através do olhar de uma criança, as adversidades enfrentadas por sua mãe de apenas dezesseis anos, vítima da repressão social. Analogamente, note-se os alarmantes índices de gravidezes precoces no Brasil, uma vez que, jovens não se encontram preparados psicossocialmente para o amparo de uma gestação.

Mediante ao elencado, conforme relatórios da Organização Mundial da Saúde, na América Latina, a população brasileira apresenta o maior número de adolescentes grávidas, em grande parte dos casos advindas de condições de vida precárias, caracterizadas por núcleos familiares instáveis ​​e carência educacional. Destarte, tais fatores, acabam por tornar jovens periféricos mais suscetíveis a se tornarem pais imaturamente, em decorrência da desinformação a respeito da educação sexual e a eficácia de métodos contraceptivos.

Ademais, vale destacar também a hipersexualização do corpo feminino, derivante do machismo estrutural, como uma das causas de gestações precoces, visto que é responsável pela iniciação sexual prematura de meninas, que aos olhos da sociedade se tornam mulheres após a primeira menstruação. Não obstante, debates acerca da sexualidade ainda são considerados tabus, dificultando o acesso e orientação de jovens sobres questões como a transmissão de doenças venéreas e gravidez.

Consequentemente, como exposto na produção cinematográfica “Os garotos da minha vida”, a qual ilustra a história de Bervely, uma jovem que engravida aos quinze anos, sendo obrigada a abandonar os estudos, tendo em vista falta de planejamento familiar e base socioeconômica, gestantes juvenis sofrem com marginalização social, encontrando desafios para o retorno ao âmbito estudantil e inserção no mercado de trabalho. Desta forma, a rejeição das massas e da própria família, leva fragilização emocional materna, ocasionando vulnerabilidades a integridade física e psicológica de mãe e filho, posto que ocorre dificuldade no estreitamento de laços, além da perpetuação da pobreza.

Infere-se, portanto, a necessidade à prevenção da gravidez na adolescência. A começar pela promoção de debates e campanhas publicitárias, gerenciados pelo Ministério da Educação, a respeito da educação sexual, visando conscientizar meninos e meninas sobre a importância da utilização de métodos contraceptivos. Outrossim, o desenvolvimento de um projeto de lei na Câmera dos Deputados, voltado a garantia de vagas de emprego para as jovens, além assegurar a conclusão do ensino básico, não só por meio da criação de turmas em redes públicas de ensino, que se adequem a rotina da maternidade, mas também o oferecimento de espaços para estadia de seus filhos durante as aulas, objetivando assim reverter o quadro de mães adolescentes em situação de pobreza.