Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 30/05/2021

No poema “Lua nova demais”, da poetisa brasileira Elisa Lucinda, é retratado a realidade das meninas de rua, que em sua maioria engravidam muito cedo e, como a própria escritora conhecimentos, “têm seus filhos depressa na calçada” sem condições mínimas de parir e de criar seus filhos. Fora da ficção, a realidade a brasileira destaque-se com a mesma problemática no que diz respeito à gravidez na adolescência em evidência. Nesse contexto, percebe-se uma configuração de um grande problema, em virtude da grande influência exercida pelos responsáveis ​​durante a infância e do silenciamento da população a respeito da questão.

De certo que, a influência que os responsáveis ​​exercem sobre os menores é um dos principais motivadores para os casos de gravidez na adolescência. Segundo o artigo “Violência epidêmica” do Doutor Dráuzio Varella, médico oncologista, cientista e escritor brasileiro, o desenvolvimento físico e psicológico das crianças se dá por imitação, ou seja, se uma criança crescer em um ambiente onde é “comum” ter filhos cedo e onde os métodos contraceptivos são banalizados, sem dúvida a tendência é que repita os mesmos erros em sua vida. Portanto, é incontestável que a família desempenha um papel crucial quanto às escolhas dos jovens.

Ademais, é preciso entender que o silenciamento da sociedade a respeito das questões que envolvem a gravidez na adolescência é um grande motivador para a ampliação do problema. De acordo com Lima Barreto, escritor modernista brasileiro, “O Brasil não tem povo, tem público”, ou seja, a pessoa não desempenha seu papel de falar a respeito do assunto, de evidenciar os problemas de uma gravidez prematura e nem como maneiras de prevenir com que isso aconteça, pelo contrário, há uma certa romantização a respeito do tema. Desse modo, é inaceitável que a sociedade não tome nenhuma providência e continue calada.

Portanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação introduza aulas de educação sexual nas escolas, abertas para todo público, por meio de um projeto de lei entregue a Câmara dos Deputados. Nesse projeto deve constar que todos os colégios devem introduzir ao menos uma aula por semana envolvendo todos os assuntos a respeito de sexualidade, desde métodos preventivos até as questões sociais que envolvem o tema. Somente assim, será possível frear a gravidez na adolescência em evidência no Brasil e evitar que tantas meninas venham a sofrer tanto com isso, como é descrito no poema “Lua nova demais”.