Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 01/06/2021
O filme “Simplesmente acontece” retrata Rosie, uma jovem que após engravidar de forma indesejada durante a adolescência, transforma sua vida consideravelmente quando precisa desistir da faculdade para cuidar da filha. Fora da ficção, embora tenham ocorrido avanços no combate a gravidez em adolescentes, esse problema ainda é uma realidade presente no Brasil. Nesse contexto, torna-se evidente a falta de conhecimento, bem como o contexto familiar em que as moças estão inseridas.
É indubitável, nesse sentido, que a desinformação esteja entre as causas do problema. Logo, por conta de ideias já ultrapassadas, escolas e famílias creem que instruir os jovens sobre prevenção sexual pode encorajá-los a se tornarem sexualmente ativos, mantendo assim esse enorme tabu como algo natural. Contudo, algumas instituições educacionais até ensinam sobre riscos do sexo sem prevenção, todavia, geralmente focam mais em doenças e não na gravidez. Dessa forma, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica uma causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre os perigos de uma maternidade precoce, sua visão será limitada, o que dificulta uma erradicação.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão do contexto familiar em que a adolescente se insere. Pois, uma parcela de famílias não conversa com suas filhas a respeito do assunto, por parecer embaraçoso, no entanto, essas garotas acabam conseguindo informações de outras formas, o que pode gerar uma gravidez inesperada. Conforme o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática do tabu em relação a conversas sobre sexo na juventude apresenta-se como uma ideia passada de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema se encontra dentro das casas das pessoas e estende-se por uma longa linha do tempo. Portanto, deve-se lutar cada vez mais contra essa realidade de omissão, porque quanto mais informação, menores os riscos de que o indesejável aconteça.
Sendo assim, indubitavelmente, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Governo Federal, mediante o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, deve desenvolver palestras em escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais desses órgãos, através de entrevistas com jovens que já passaram por essa situação e profissionais de saúde, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema e alertar sobre como prevenir tanto doenças como uma gestação. Além de promover a distribuição de preservativos e anticoncepcionais, principalmente em áreas mais pobres, para que todos os adolescentes estejam conscientizados e aptos para essa fase.