Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 07/10/2021
De modo documental, o curta-metragem “Meninas: gravidez na adolescência” retrata o árduo cotidiano de quatro adolescentes grávidas, moradoras de diferentes periferias cariocas, enfatizando os entraves enfrentados por elas e suas famílias após a descoberta de uma gravidez precoce e não planejada. Assim como no documentário, por ano, milhares de jovens brasileiras tornam-se mães ainda na adolescência. Nesse viés, faz-se necessário analisar os alicerces que sustentam esse cenário, a citar, a negligência estatal e a educação brasileira. Dessarte, urge a adoção de estratégias para reverter esse panorama.
De início, é imperioso notar que a falta de indiligência estatal potencializa os números de gravidez entre jovens de 12 a 18 anos. Depreende-se que, na obra “Os Bruzundangas”, o pré-modernista Lima Barreto já expunha que a ausência das garantias constitucionais estava no âmago das problemáticas daquela nação. Sob essa ótica, sua tentativa de criar um país fictício com os mesmo impasses do Brasil é ratificada, sobretudo no que tange ao precário engajamento estatal para com a atenção integral à saúde da mulher, visto que a saúde é um direito previsto pelo Artigo 6 da Constituição e tal cláusula não é garantida de forma efetiva. Isto posto, a falta de campanhas de conscientização sobre a necessidade do uso de contraceptivos, não apenas para prevenção da gravidez como também para prevenção de infecções sexualmente trasmissíveis (IST’s), durante o ato sexual. Dessa forma, cabe ao governo políticas que visem instruir jovens à praticar sexo de forma segura.
Outrossim, é valido perceber que a educação brasileira é falha no que tange à educação sexual dos adolescentes, uma vez que os números de gravidez precoce estão em evidência no país. Segundo o patrono da educação no Brasil, se a educação sozinha não transforma uma sociedade, tampouco essa mudará sem educação. Nesse sentido, é indubtável que a falta de aulas sobre educação sexual na grade horária escolar corrobora para o agravamento dos índices, visto que muitas vezes esse é o único local ao qual os jovens possuem acesso à informações seguras, pois em muitos lares, esse assunto ainda é muito estigmatizado e pouco debatido.
Em suma, diante os desafios supramencionados, é necessária a ação do Estado para mitigá-los. Nesse âmbito, cabe ao poder público, na figura do Ministério da saúde com o Estatuto da Criança e do Adolescente, desenvolver campanhas que visem a conscientização do ato sexual seguro e protegido, por meio do aumento de verbas destinadas ao combate à gravidez na adolescência, afim de que os jovens, com acesso à informações seguras, oriundas de profissionais qualificados, possam evitar uma gravidez precoce e não planejada.